FI-FGTS emprestará R$ 1,2 bilhão para a CSN

Comitê aprova liberaçãode recursos para obra no porto de Itaguaí, após polêmica sobreo valor do empréstimo

Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S.Paulo

21 Maio 2015 | 02h03

BRASÍLIA - Pressionado pela paralisia há quase um ano nas decisões de novos aportes, o comitê de investimento do FI-FGTS aprovou ontem o pedido de financiamento de R$ 1,2 bilhão para a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). O Estado apurou que os recursos serão aplicados na expansão do porto em Itaguaí (RJ), usado para o embarque e desembarque de minério de ferro e carvão.

Na última reunião do comitê de investimento em que houve deliberação, em outubro do ano passado, o projeto foi retirado de pauta a pedido de dois membros do órgão que aprova os aportes do bilionário fundo administrado pela Caixa. Mesmo não estando na pauta de ontem, o projeto foi incluído pelo presidente do comitê de investimento do FI-FGTS, Carlos Eduardo Abijaodi, representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Abijaodi, que assumiu a presidência neste ano, disse que o projeto estava na pauta da reunião do mês passado e havia uma pressão para que se votassem novos investimentos.

Pelo plano de negócios, além do financiamento do FI-FGTS, a CSN se comprometeu a aportar R$ 527 milhões de capital próprio. O objetivo da CSN é usar os recursos para ampliar em 34% a capacidade de descarga, armazenagem e embarque de minério de ferro do terminal de 45 para 60 milhões de toneladas por ano.

A siderúrgica opera o porto desde 1997. A concessão pública vence em 2022, mas pode ser renovada por mais 25 anos.

Investimento alto. Os membros do comitê consideravam alto o investimento e queriam detalhes de como seria o impacto na geração de emprego e renda e em questões socioambientais. Para a aprovação do financiamento ontem, a CSN informou que a expansão da capacidade do terminal entre 2008 e 2014 - de 30 para 45 milhões de toneladas por ano - fez com que triplicasse a quantidade de trabalhadores próprios da empresa. As obras da expansão devem demorar dois anos, com geração de 1,7 mil empregos diretos e mais de 5 mil indiretos. Com capacidade ampliada, o porto deve abrir mais 400 vagas diretas e 800 indiretas.

A CSN também estimou que o projeto vai aumentar bastante a arrecadação de impostos. Desde março, o ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda, Paulo Caffarelli ocupa o cargo de diretor executivo da CSN. O Estado apurou que a operação tinha o apoio do ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Procurada, a CSN não quis se pronunciar.

Pedidos. Em 2014, o fundo tinha mais de R$ 10 bilhões em caixa, mas o comitê acrescentou apenas um projeto à sua carteira - um aporte de R$ 630 milhões à concessionária de rodovias CCR, que tem como acionistas Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Soares Penido, para recuperação da Rodovia Presidente Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro.

Na fila estão, por exemplo, o pedido de compra de até 20% da empresa de resíduos sólidos Estre Ambiental por cerca de R$ 500 milhões.

Outro pedido que tem de ser analisado é o aporte de R$ 2,5 bilhões em forma de emissão de dívida para o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

Pelo projeto, os recursos devem ser usados em obras de saneamento e energia em um dos principais empreendimentos da história da Petrobrás, erguido no município de Itaboraí, no Rio de Janeiro.

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