Fiat aposta em motores e transmissões para sair da crise

A fabricante de automóveis italiana Fiat, que vem se esforçando para sair de uma longa crise, anunciou hoje que vai focar seus investimentos na sua área mais forte atualmente: a fabricação de motores e transmissões. A companhia disse que sua nova unidade, a Fiat Powertrain Technologies, vai empregar cerca de 23 mil pessoas e poderá tirar proveito do crescimento do mercado mundial de motores a diesel. A previsão é que a unidade produza 2,2 milhões de motores e 2 milhões de transmissões por ano, com receita de 6 bilhões. As áreas de diesel da Fiat estavam espalhadas por várias empresas do conglomerado, como a Fiat Auto, a Fiat Research Center, a Magneti Marelli e a unidade de caminhões Iveco. Colocando todas as áreas sob o mesmo teto, a empresa disse que conseguirá "inovações maiores e produtos mais competitivos". A nova divisão também vai investir em pesquisas com metanol, sistemas híbridos e tecnologias de célula a combustível. O antigo diretor-presidente da unidade de componentes Magneti Marelli será o principal executivo da Fiat Powertrain. De acordo com o presidente do Grupo Fiat, Sergio Marchionne, a criação da unidade vai permitir à companhia "operar com maior flexibilidade e alavancar o enorme potencial - particularmente em mercados não-cativos - que até agora estava dividido em unidades diferentes". A venda de carros a diesel no mundo cresceu 141% nos últimos oito anos, enquanto o crescimento global das vendas no período foi de apenas 14%, segundo a empresa de pesquisas Global Insight. O diesel, mais barato que outros combustíveis e com menor índice de emissão de dióxido de carbono, foi responsável por 48% dos carros vendidos no ano passado. "Na história da Fiat, nossa competência em mecânica e motores, em particular, nunca foi questionada pelo mundo automotivo", disse Marchionne, apontando o prestígio da tecnologia diesel desenvolvida pela empresa. A Fiat inventou o sistema de injeção por condutor único no início dos anos 90, mas vendeu a licença da tecnologia para a Robert Bosch. Era também a experiência da Fiat em motores diesel que dava força à empresa na parceria com a americana General Motors, desfeita em fevereiro. O acordo incluía uma cláusula que poderia ter forçado a GM a comprar 90% da Fiat. Para cancelar essa cláusula - e o acordo -, a GM aceitou pagar US$ 2 bilhões. Desde então, Marchionne tomou as rédeas da unidade de automóveis e tem dito que espera levar o grupo ao lucro este ano. A Fiat registrou no ano passado um prejuízo líquido de 1,55 bilhão de euros - um pequeno avanço na comparação com as perdas de 1,95 bilhão de 2003 -, devido principalmente à continuação das vendas fracas e aos problemas de excesso de capacidade de produção. As receitas do grupo, de 46,7 bilhões de euros, ficaram abaixo dos 47,2 bilhões registrados no exercício anterior. Por conta disso tudo, "a nova unidade representa um passo fundamental no relançamento do Grupo Fiat", disse Marchionne.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.