Fiat argentina para produção por 48 horas

Com falta de insumos, 300 trabalhadores da montadora em Córdoba são mandados para casa

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES , O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2012 | 03h10

A montadora Fiat suspendeu ontem 300 operários de sua fábrica no município de Ferreyra, na província de Córdoba, região central da Argentina.

A versão oficial da empresa sobre a suspensão indica que a fábrica precisava - durante 48 horas - readaptar as linhas de montagem destinadas aos novos modelos Palio e Siena. No entanto, os representantes do Sindicato dos Mecânicos do Transporte Automotivo (Smata) afirmam que, além das novas linhas, a fábrica teve de paralisar sua produção na área de chapas e estampados durante dois dias por causa da falta de insumos importados.

Segundo Leonardo Almada, assessor do Smata, "o problema principal é que não chegaram a Córdoba as matrizes para fazer o novo modelo do Fiat Palio, que estão em trânsito", paralisadas na alfândega. Durante a suspensão os trabalhadores receberão 75% de seus salários.

Além dos operários da Fiat, também foram mandados para casa 300 trabalhadores da fábrica de autopeças Gestamp, fornecedora da montadora italiana.

Escassez. As restrições às importações aplicadas pelo governo da presidente Cristina Kirchner estão provocando escassez de insumos para os mais diversos setores industriais.

De forma geral, os veículos montados na Argentina têm índice médio de 70% a 80% de peças importadas.

Em janeiro, a Fiat havia suspendido a produção dos modelos Palio e Siena em Córdoba por causa falta de insumos para a produção. Na ocasião, a fábrica deixou de produzir 1.400 carros. Do total produzido pela Fiat argentina, 80% dos veículos são destinados ao mercado brasileiro.

Desde o ano passado o setor automotivo reclama constantemente da dificuldade para a entrada de autopeças e pneus.

Desde novembro os importadores precisam apresentar, de forma prévia ao pedido de importação, toda a documentação bancária envolvida na transação, para ser analisada pela Administração Federal de Ingressos Públicos (Afip), denominação da receita federal argentina.

Mas, desde o dia 1.º de fevereiro, a situação do setor industrial agravou-se com a aplicação da resolução n.º 3.252 da Afip, que determina que todas as empresas que desejem importar produtos do exterior deverão apresentar, de forma prévia, um relatório detalhado ao organismo de arrecadação tributária e outros organismos do governo, denominado Declaração Juramentada Antecipada de Importação (DJAI).

No entanto, a apresentação dessa declaração não é suficiente para importar, já que o empresário importador precisa esperar pela resposta positiva - ou não - do governo argentino sobre o seu pedido, sem prazo definido.

O objetivo do governo argentino é evitar o encolhimento do seu superávit comercial.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.