Fiat assume comando da Chrysler

Parceria fechada ontem entre as duas companhias cria a sexta maior fabricante de veículos do mundo

Reuters, DETROIT, O Estadao de S.Paulo

11 de junho de 2009 | 00h00

A montadora americana Chrysler concluiu ontem a venda dos seus ativos mais saudáveis para um grupo liderado pela Fiat, reativando a companhia de 84 anos, que estava perto do precipício. A venda dos ativos conclui um rápido processo de reorganização da Chrysler conduzido pelo governo dos Estados Unidos. Outras partes da montadora seguirão em concordata para serem vendidas ou desativadas. A história da Chrysler até a concordata Veja os detalhes do pedido de concordata A nova companhia, que passa a ser chamada de Chrysler Group, iniciará as operações imediatamente, de acordo com um comunicado. O presidente executivo da Fiat, Sergio Marchionne, também será presidente executivo da Chrysler. De acordo com Marchionne, a aliança cria a sexta maior montadora do mundo. No ano passado, a produção somada das duas empresas foi de 4,5 milhões de unidades. Com isso, ficaria atrás de Toyota, General Motors, Volkswagen, Renault/Nissan e Ford, sempre levando-se em conta os números do ano passado.Com o acordo fechado com a montadora americana, a Fiat pretende sair mais forte de uma das piores crises já enfrentadas pela indústria automotiva global. A empresa italiana começou a procurar parceiros para ganhar escala no final do ano passado, quando as vendas de automóveis começaram a cair drasticamente.A Chrysler informou que emitiu ações da nova companhia equivalentes a uma participação de 20% para uma subsidiária da Fiat. A fatia da montadora italiana pode aumentar para até 35% se algumas metas exigidas pelo acordo forem alcançadas. A companhia, porém, não pode obter uma participação majoritária na Chrysler até que todos os empréstimos concedidos pelo governo dos Estados Unidos sejam quitados.Além disso, o fundo de benefícios médicos aos aposentados do sindicato United Auto Workers (UAW) tem agora uma fatia de 55% no Chrysler Group, informou a companhia. O Tesouro dos EUA detém 8%, enquanto o governo canadense ficou com uma fatia de 2%.A Chrysler chegou a acordos com quase todos os grandes credores até o final de abril e pediu proteção judicial contra falência em 30 de abril para finalizar a venda dos seus ativos à nova companhia liderada pela Fiat.Apesar de ter o comando da nova companhia, a Fiat não vai, a princípio, injetar dinheiro na Chrysler. Sua maior contribuição será no fornecimento da tecnologia para a fabricação de carros menores e mais eficientes. Essa virada da empresa, acostumada a produzir as grandes picapes e utilitários esportivos que por décadas dominaram o gosto do consumidor americano, era uma exigência do governo dos EUA para injetar dinheiro na empresa.AMÉRICA DO SULA participação das operações sul-americanas da Chrysler no acordo ainda não está clara. Procurada, a Fiat no Brasil informou que o acordo envolve compromisso de a montadora italiana "alavancar as vendas da Chrysler fora do Nafta". A Fiat tem 500 pontos de vendas e a Chrysler possui outros 32 no Brasil.Todos os veículos da Chrysler comercializados no mercado brasileiro são importados, já que a empresa não possuí fábrica no País. Na América do Sul, a Chrysler só possui linha de produção na Venezuela. A montadora vendeu no primeiro trimestre 12.315 veículos na América Latina.

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