Giorgio Perottino/Reuters
Giorgio Perottino/Reuters

Fiat aumentará participação na Chrysler para 46%

Montadora italiana comprará 16% por US$ 1,27 bilhão, depois que a empresa americana pagar suas dívidas com governo

, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2011 | 00h00

MILÃO

A montadora italiana Fiat anunciou ontem que planeja aumentar sua participação na americana Chrysler dos atuais 30% para 46% do capital, imediatamente após o grupo americano pagar ao governo dos Estados Unidos seus empréstimos, o que deverá acontecer até o final de junho.

A Fiat informou que gastará US$ 1,27 bilhão pelo aumento de 16% na participação do capital da Chrysler, logo depois de Sergio Marchionne, presidente das duas montadoras, fechar o acordo para viabilizar o pagamento da dívida.

O executivo italiano está negociando financiamentos de um grupo de bancos - entre eles o Goldman Sachs, Morgan Stanley, Citigroup e Bank of America -, para pagar os empréstimos de US$ 7,2 bilhões que os governos dos Estados Unidos e do Canadá fizeram à Chrysler em 2009, durante a concordata da empresa.

"Esse é um passo fundamental na direção de completar a enorme integração da Fiat com a Chrysler, iniciada menos de dois anos atrás, e que resultará na criação de uma montadora mundial", disse Marchionne em comunicado. "Nós escolhemos acelerar a velocidade para levar ao nascimento, no prazo mais curto possível, de um só grupo capaz de alavancar completamente o desenvolvimento conjunto das respectivas atividades internacionais."

A Fiat ressaltou seus planos após chegar a um acordo com os acionistas da Chrysler, que incluem o Departamento do Tesouro americano, os fundos de pensão do sindicato dos metalúrgicos dos EUA e Canadá, o United Auto Workers (UAW, na sigla em inglês), e o governo do Canadá.

O aumento de participação da Fiat reduzirá muito a participação dos outros acionistas. Atualmente, o fundo do UAW tem 59,2% de participação na Chrysler, o Tesouro americano tem 8,6% e o governo federal do Canadá e os governos provinciais canadenses têm 2,2%. O Citigroup atua como conselheiro da Fiat na transação.

"A transação é um triunfo para Marchionne, que conseguiu convencer o Tesouro americano e o sindicato UAW a deixá-lo fazer o negócio dois anos antes do planejado", disse Max Warburton, analista da Bernstein Research.

"A transação anunciada hoje reflete um alto grau de confiança na recuperação da Chrysler e embora não signifique que a empresa resolveu seus problemas, sugere que Marchionne acredita que está no caminho certo para isso", disse Warburton ontem.

A Fiat também informou que planeja aumentar sua participação na Chrysler para 51% do capital total até o fim deste ano, uma vez que cumpra a determinação do governo americano e a Chrysler comece a produzir nos EUA, com tecnologia Fiat, um automóvel que consuma menos combustível. Quando isso ocorrer, a participação da Fiat na Chrysler aumentará automaticamente em outros 5%, para 51%.

Dinheiro público. "O anúncio de hoje (ontem) representa mais um passo para a saída do investimento dos contribuintes americanos na Chrysler", disse Tim Massad, secretário assistente do Tesouro. "Aguardamos o pagamento total de nossos empréstimos para a Chrysler, do qual depende o anúncio feito pela Fiat."

"Seremos eternamente gratos pela intervenção dos governos do Canadá e dos Estados Unidos, mas acho que chegou a hora de nós pagarmos de volta tudo que devemos a eles", disse Marchionne.

Depois que a transação for finalizada, o fundo de previdência da Chrysler ficará com 45,7% da empresa, o Tesouro dos Estados Unidos terá 6,6% e os governos do Canadá e de Ontario terão 1,7%.

Apesar de Marchionne ter dito que os acordos com os acionistas da Fiat foram assinados na noite de quarta-feira, ele preferiu não revelar mais detalhes sobre como os US$ 7,2 bilhões em empréstimos serão pagos até 2 de maio, quando a Chrysler divulgará seus resultados trimestrais.

Marchionne também disse que o investimento da Fiat vai melhorar a estrutura de capital da Chrysler e deve aumentar as chances de conseguir um empréstimo de mais de US$ 6 bilhões do Departamento de Energia, por meio de um programa para ajudar as motadoras a fabricar veículos de alta tecnologia e eficiência energética.

"Tivemos um bom progresso com o Departamento de Energia", disse Marchionne. "O departamento verá a infusão de capital como algo positivo. Não vejo porque isso seria adiado ainda mais." Notícias anteriores apontavam que a Chrysler havia pedido US$ 3,5 bilhões ao departamento. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.