Fiat compra a fabricante de motores Tritec, do Paraná

Empresa que pertencia à Chrysler e à BMW estava com a produção suspensa desde julho

Cleide Silva e Evandro Fadel, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2008 | 00h00

A Fiat anunciou ontem a compra da fábrica de motores Tritec, em Campo Largo (PR). A empresa está com a produção suspensa desde julho e sua controladora, a americana Chrysler, chegou a discutir a venda com vários grupos, incluindo a General Motors e montadoras da China e da Rússia. O valor da compra não foi revelado. A Fiat informou que investirá R$ 250 milhões no negócio, incluindo a criação de novos motores.A fábrica, que terá o nome de Fiat Powertrain Technologies (FPT)/Tritec, só voltará a produzir no primeiro semestre de 2009. A montadora italiana vai manter os 97 empregados atuais e contratará mais 400. Até 2010, a fábrica estará preparada para produzir 275 mil motores ao ano, número que será gradualmente ampliado para 400 mil unidades/ano.A Tritec foi inaugurada em 1999, fruto de joint venture entre a americana Chrysler e a alemã BMW. As duas investiram US$ 500 milhões no projeto. Segundo analistas, é provável que ambas tenham amargado alto prejuízo na operação.A produção da Tritec, de motores 1.4 e 1.6, era voltada só para exportação, mas o volume anual nunca atingiu nem metade da capacidade instalada, de 400 mil unidades. O principal cliente era o modelo Mini, fabricado na Inglaterra pela BMW. A fábrica também fornecia, em menor escala, motores para a Chrysler. Com o fim da parceria, em 2007, a fábrica ficou ociosa e, em julho, suspendeu a produção e demitiu a maior parte dos 400 trabalhadores."Nessa nova fase, as pessoas que quiserem voltar serão recontratadas prioritariamente", disse Franco Ciranni, superintendente da FPT para o Mercosul. Segundo ele, a reativação também vai gerar 1,5 mil empregos indiretos. O faturamento projetado para a operação é de R$ 1,2 bilhão, com geração de R$ 150 milhões em impostos.A nova fábrica ajudará a Fiat a resolver um problema de gargalo na produção de motores. A montadora está em processo de ampliar a produção na fábrica de Betim (MG), de 530 mil para 730 mil motores ao ano, e na de Sete Lagoas (MG), de 25 mil para 70 mil unidades. Essas capacidades serão atingidas só em 2010. Ciranni informou que a fábrica deverá manter a produção de motores 1.4 e 1.6 e que outros produtos serão desenvolvidas no segmento de motores de tamanho médio (exclui, portanto, versões 1.0 e 2.0), com tecnologia flex. Disse ainda que, além de abastecer a própria Fiat, os motores serão vendidos para terceiros.Ao comunicar a venda ao mercado ontem nos EUA, o presidente da Chrysler, Tom LaSorda, disse que "o anúncio é uma excelente notícia e proporciona um futuro estável para a Tritec".O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), afirmou que estarão disponíveis para a Fiat os mesmos incentivos dados a outras empresas que se instalam no Estado, como mais prazo para pagamento de ICMS e crédito de exportação.A Fiat negociava com a Tritec desde julho, conforme antecipou o Estado à época. A montadora, porém, fez segredo sobre o tema. Paralelamente, a GM chegou a negociar a compra, mas decidiu abrir uma fábrica em Santa Catarina, um investimento de R$ 350 milhões.A fabricante de automóveis Lifan também apresentou oferta para a Tritec, mas seu interesse era desmontar a fábrica e remontá-la na China. A russa AvtoVAZ, fabricante do Lada, também manifestou interesse na empresa, então cotada a US$ 300 milhões, segundo informações divulgadas pela imprensa internacional à época.Um dos prováveis clientes da FPT deve ser a Obvio!, do Rio de Janeiro. A empresa desenvolveu um minicarro que já tinha 50 mil unidades encomendadas de um cliente nos EUA, mas o projeto está parado porque a Tritec, fornecedora exclusiva dos motores da Obvio!, suspendeu o contrato. A Obvio! chegou a entrar na Justiça contra a Tritec.Adriano Carlesso, presidente do Sindimovec, sindicato que representa os trabalhadores da Tritec, recebeu a notícia com alívio. "Estamos felizes, pois tínhamos pouca esperança na retomada da fábrica, após nove meses de paralisação."

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