Sergio Castro/AE
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Fiat investirá R$ 10 bi no País até 2015

Plano de investimentos do grupo italiano prevê um desembolso de R$ 6 bilhões a R$ 7 bilhões apenas para a área de automóveis

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2010 | 00h00

A Fiat Automóveis, líder em vendas no mercado brasileiro, vai investir entre R$ 6 bilhões a R$ 7 bilhões no País nos próximos cinco anos. O montante está inserido em um programa total de R$ 10 bilhões que serão aplicados de 2011 a 2015 por todo o grupo, que inclui também empresas de autopeças e máquinas agrícolas.

A montadora de origem italiana era a única entre as principais empresas automobilísticas que ainda não havia anunciado novo programa de investimentos.

O aporte confirmado ontem pelo diretor comercial da empresa, Lélio Ramos, é o maior que o grupo anunciou para um período quinquenal. O novo plano estabelece o dobro do gasto anual em relação ao anterior, que era de R$ 1 bilhão e foi aplicado entre 2008 e 2010.

Ramos informou que o montante será gasto principalmente em novos produtos e ampliação da capacidade produtiva, mas a montadora ainda não detalhou porcentuais para cada item. A fábrica da Fiat em Betim (MG) opera no limite da capacidade, de cerca de 800 mil carros ao ano. Há expectativas de uma nova fábrica, mas o grupo não confirma.

"Poderemos ampliar as áreas que atuam em três turnos", disse Ramos. O presidente da Fiat, Cledorvino Belini, tem dito também que a empresa pode complementar a produção utilizando a filial argentina, que produz apenas o Siena. Juntas, as duas fábricas têm capacidade para 1 milhão de veículos por ano.

Segundo Ramos, a Fiat fará 20 lançamentos em 2011, entre modelos inéditos e reestilizações. Este ano, o grupo ainda vai lançar o hatch Bravo, substituto do Stilo. A marca responde por 23% das vendas totais de automóveis e comerciais leves.

Mercado. Projeções apresentadas em seminário realizado ontem em São Paulo pela editora Autodata com representantes de montadoras e autopeças indicam para 2011 crescimento de 4% a 6% nas vendas totais, incluindo caminhões e ônibus. Este ano, o mercado vai crescer 8%, para um volume recorde de 3,4 milhões de unidades.

"Não dá mais para continuar crescendo dois dígitos", afirmou Belini, que também é presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Segundo ele, a tendência daqui para a frente é de o setor, que nos últimos anos cresceu a taxas de 11% ao ano, acompanhar o Produto Interno Bruto (PIB).

Apesar da projeção de crescimento, Belini demonstrou preocupação com o aumento das importações, que já respondem por 18% das vendas no mercado nacional - essa participação era de 5% em 2005. O problema, analisou ele, é que as exportações não acompanham esse ritmo, o que levará a balança comercial do setor a um déficit recorde de mais de US$ 4 bilhões, junto com as autopeças.

"Há cinco anos, as exportações respondiam por 30,7% da produção das montadoras e hoje responde por apenas 14,6%", informou. Belini culpou o câmbio valorizado e também a perda de competitividade do carro nacional em relação a outros fabricantes, principalmente os asiáticos.

A Anfavea e o Sindipeças (que representa a indústria de autopeças) preparam proposta conjunta de política industrial para levar ao novo governo em 2011. O objetivo é garantir a competitividade da indústria local. "Hoje somos o quarto maior mercado mundial em vendas, mas o sexto em produção", disse Belini.

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