Fiat perde meio bilhão de dólares em três meses

O Grupo Fiat anunciou nesta terça-feira na Itália um prejuízo líquido de US$ 480 milhões (529 milhões de euros) em suas operações mundiais no primeiro trimestre, ante um lucro líquido de US$ 175 milhões (193 milhões de euros) em igual período do ano passado. O desempenho negativo, um dos piores da história da montadora, não teve qualquer reflexo na Fiat do Brasil, hoje a mais importante filial da empresa e uma das poucas a registrar lucro no balanço financeiro. Ao contrário do que ocorre internacionalmente, a Fiat do Brasil vive uma de suas melhores fases após ter conquistado, no ano passado, a liderança do mercado de automóveis e comerciais leves, desbancando pela primeira vez a tradicional líder Volkswagen. A direção da montadora em Betim (MG) informou ontem que não vai alterar o plano de investimento de R$ 500 milhões previsto para este ano e o lançamento, em setembro, do Stilo, carro de médio porte que será uma das armas para manter-se no alto do pódio. No ano passado, a filial brasileira teve lucro de R$ 172 milhões, dos quais R$ 132 milhões obtidos com o Banco Fiat, seu braço financeiro responsável pelas vendas a prazo. Já a Fiat Auto mundial teve prejuízos de US$ 498 milhões (549 milhões de euros) e contabilizava uma dívida de US$ 5,98 bilhões (6,6 bilhões de euros) em 2001. A empresa anunciou uma ampla reestruturação, com o fechamento de fábricas e corte de pessoal. E decidiu levar para a matriz o superintendente da Fiat do Brasil, Gianni Coda, que conseguiu colocar a marca na liderança do mercado brasileiro e agora tem a difícil tarefa de melhorar os resultados da companhia italiana. Na opinião do professor da Universidade de São Paulo (USP) e estudioso do setor automobilístico, Glauco Arbix, os resultados negativos da matriz, em princípio, não vão afetar a filial brasileira. O temor, no entanto, é de que a situação mundial possa desencadear o processo de venda das demais ações da empresa para a norte-americana General Motors, que já detém 20% da companhia. "Se a venda ocorrer, o impacto no Brasil será muito forte porque pode ocorrer um plano de racionalização de linhas de montagem e de até de pessoal", disse Arbix. Para o estudioso, a Fiat dificilmente terá condições de permanecer sozinha do mercado mundial. Além disso, já estuda desfazer-se de empresas coligadas, como a Ferrari e a Magnetti Marelli. A montadora italiana informou ontem que colocará ações da Ferrari na bolsa de valores e espera conseguir US$ 907,4 milhões (1 bilhão de euros) no mercado. Acordo com a GM - O principal executivo financeiro da Fiat italiana, Damien Clermont, disse ontem não haver, no momento, nenhuma negociação para alterar o acordo feito com a General Motors no início de 2000. Pelo entendimento, a Fiat tem a opção de vender os 80% restantes de suas ações à GM a partir de 2004. Analistas do mercado avaliam, entretanto, que um eventual afastamento de Gianni Agnelli do comando da maior montadora italiana possa acelerar um processo de venda. Clermont afirmou que o grupo pretende reduzir sua dívida para US$ 2,7 bilhões (3 bilhões de euros) neste ano. (Com agências internacionais)

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