Fiat/Divulgação
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Fiat quer voltar a ser líder no País, mas não a qualquer custo, diz presidente

Após perder a liderança para a GM, montadora espera transformar o Mobi, seu novo subcompacto, no carro mais vendido da marca

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2016 | 17h02

A Fiat, marca que lidera as vendas de veículos no Brasil há 14 anos, mas perdeu a posição para a General Motors no primeiro trimestre deste ano, vai brigar para manter o posto de número um. O Mobi, subcompacto que começa a ser vendido neste sábado, terá papel importante na estratégia. O presidente da Fiat Chrysler Automobiles (FCA) para a América Latina, Stefan Ketter, afirma, porém, que a liderança não pode ser a meta mais importante se não for financeiramente sustentável.

“Precisamos de rentabilidade para manter nosso ciclo de desenvolvimento e não queremos liderança a qualquer custo”, diz Ketter. A expectativa é vender 7 mil unidades ao mês do Mobi, carro menor que o Uno, o que fará dele o mais vendido da marca. No mercado, esperava-se que o modelo custasse menos de R$ 30 mil, mas a versão mais barata, sem itens como ar condicionado, custa R$ 31,9 mil. A mais completa custa R$ 43,8 mil.

Para o diretor de Produtos da FCA, Carlos Eugênio, a Fiat “não quer mais ser conhecida como a marca que vende o carro mais barato do Brasil.” O grupo promete um lançamento a cada seis meses até 2018, incluindo a marca Jeep.

Neste ano, a empresa terá mais novidades que vão se posicionar entre a picape Toro, lançada em fevereiro e vendida a partir de R$ 77,8 mil (hoje com fila de espera de dois meses), e o Mobi. No meio desse “sanduíche”, segundo Ketter, haverá também um carro médio produzido na Argentina.

A Fiat detinha 21% das vendas de carros e comerciais leves em 2014, participação que caiu para 17,7% em 2015 e está em 15% neste ano. Em relação ao primeiro trimestre do ano passado, as vendas da marca caíram 44%, para 70 mil unidades, num mercado total que recuou 28,4%.

Ketter prevê para este ano vendas totais de no máximo 2 milhões de veículos, 20% a menos que no ano anterior, embora a projeção da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) seja, por enquanto, de um recuo de 7,3%.

O presidente da FCA acredita que, se houver qualquer decisão que traga “um pouco de ânimo” na questão política, o mercado pode voltar a crescer rapidamente.

Oportunismo. O executivo ressalta que, em tempos de crise, a indústria automotiva não deve se valer de oportunismos. “É preciso ter muito cuidado para não entrar num ciclo vicioso de destruição um do outro, porque vamos cair no abismo em termos de volume (de produção) e uma das grandes consequências será a destruição de fornecedores.

Sobre a crise política, apenas ressalta que, independentemente de uma decisão pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, o setor precisa de regras claras para as políticas fiscal, econômica, industrial e de exportações para seguir sua agenda de investimentos.

Para ele, a desindustrialização do setor de autopeças é o que mais preocupa atualmente. “Se tivermos de importar autopeças será um desastre”.

Exportação. A fábrica de Betim (MG), que produz dez modelos, opera com 40% de ociosidade. Uma das estratégias do grupo será ampliar as exportações. Além de América Latina, o grupo avalia também vendas para a Europa e os Estados Unidos, especialmente dos modelos Renegade e Toro, produzidos na fábrica de Goiana (PE), inaugurada no ano passado e considerada uma das mais modernas da empresa no mundo.

“Por enquanto é apenas um estudo estratégico, pois estamos recebendo consultas de interessados na Toro nos Estados Unidos e do Renegade na Europa”, afirma Ketter.

O Mobi, totalmente desenvolvido no Brasil, com investimentos de R$ 1,3 bilhão, terá 30% de sua produção voltada às exportações para a América do Sul, especialmente a Argentina, que começará a receber o modelo em dois meses.

Segundo Ketter, o País precisa ter uma política de exportação sustentável, de longo prazo e que não dependa da valorização ou desvalorização do real.

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