Fiat terá fatia de 35% da Chrysler

Acordo dará à montadora americana acesso à tecnologia de fabricação de carros menores e menos poluentes

The New York Times, Detroit, O Estadao de S.Paulo

21 de janeiro de 2009 | 00h00

A montadora italiana Fiat acertou um acordo pelo qual passará a deter 35% da companhia americana Chrysler, que enfrenta graves dificuldades financeiras. O acordo, anunciado pela Fiat em Turim, na Itália, e pela Chrysler, em Auburn Hill, Michigan, significa que a Chrysler voltará a ter uma considerável participação estrangeira em seu capital, depois de permanecer como empresa independente por apenas 18 meses. A Cerberus Capital Management adquiriu a Chrysler em 2007, quando a empresa foi posta à venda pela Daimler, da Alemanha. As duas companhias operaram com o nome DaimlerChrysler durante nove anos.O acordo permitirá à Chrysler utilizar a tecnologia e a plataforma de veículos da Fiat para construir em suas fábricas carros de tamanho pequeno e médio, mais econômicos, que serão vendidos na América do Norte. A Fiat dará à Chrysler o acesso a redes de distribuição em outras partes do mundo, particularmente na Europa. As companhias esperam "consideráveis oportunidades de redução dos custos", mas não falaram especificamente em cifras.A Chrysler, que no mês passado recebeu um empréstimo de US$ 4 bilhões do governo americano para evitar a falência, disse que a parceria será um "elemento fundamental" do plano de viabilidade que terá de apresentar até 31 de março, e que a Fiat contribuirá para desenvolvê-lo. A constituição da sociedade exigirá a aprovação do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos."Essa iniciativa representa um marco histórico no panorama de acelerada transformação do setor automotivo e confirma o compromisso e a determinação da Fiat e da Chrysler, que continuam tendo um papel significativo nesse processo global", disse o presidente da Fiat, Sergio Marchionne, em nota."O acordo oferecerá a ambas as companhias oportunidades para ingressar no principais mercados automotivos", disse Marchionne, "com um produto inovador que não polua o meio ambiente, beneficiando-se ao mesmo tempo de sinergias de custos adicionais."O acordo com a Chrysler foi concluído vários meses depois que as conversações sobre uma fusão com a General Motors foram abandonadas porque a situação do mercado foi se agravando. No ano passado, a Chrysler concluiu um acordo para a construção de caminhonetes para a Nissan-Renault, que por sua vez construiria carros pequenos para a Chrysler. Mas a definição desse acordo ainda não está clara. A Renault é a principal concorrente da Fiat na Europa.Para a companhia italiana, que parou de vender carros nos EUA em 1983, o acordo poderá proporcionar o retorno ao mercado americano. A empresa não planeja, porém, "injetar recursos na Chrysler ou comprometer-se com uma fusão com a Chrysler no futuro".As discussões entre Chrysler e Fiat se desenrolaram sigilosamente durante o debate em torno da assistência federal. Foi discutida a possibilidade de dar à Fiat a opção de aumentar sua participação na Chrysler para 55% - ou seja, o controle -, disse uma fonte na segunda-feira. Isso faria com que a Chrysler voltasse a ser controlada por capital estrangeiro. Ontem, porém, os grupos não revelaram as condições do acordo.A velocidade e as condições contempladas nas conversações entre Chrysler e Fiat mostraram a gravidade da situação em que se encontra a Chrysler, que estava disposta a ceder mais de um terço da companhia essencialmente de graça. No entanto, o acordo oferece a garantia ao Tesouro e à indústria automotiva de que a Chrysler é suficientemente atraente para encontrar um parceiro."Essa transação permitirá à Chrysler oferecer aos revendedores e clientes uma linha de veículos competitiva muito mais ampla, que atende às normas relativas à economia de combustíveis e às emissões, e, ao mesmo tempo, às condições previstas pelo empréstimos do governo", disse o presidente da Chrysler, Robert Nardelli.

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