Tasso Marcelo/Estadão
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Fibria estuda atuar em logística e imóveis

Fabricante de celulose afirma que poderáganhar até R$ 3 bilhõescom expansão paranovas áreas de atuação

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2014 | 02h05

A Fibria, maior produtora mundial de celulose de eucalipto, anunciou ontem que estuda novas oportunidades de negócios, em segmentos como o setor imobiliário, de logística e de bioenergia. No conjunto, estes projetos, associados a outras inovações, têm potencial de gerar R$ 3 bilhões para a empresa.

O presidente executivo da Fibria, Marcelo Castelli, explicou, em apresentação para investidores e analistas na Bolsa de Valores de Nova York, que a intenção é gerar valor em áreas que não estão diretamente ligadas ao negócio principal, a produção de celulose.

O executivo citou que, no mercado imobiliário, a Fibria estuda oferecer parte de suas terras para construtoras desenvolverem projetos, como centros de distribuição e condomínios residenciais. As terras em estudo respondem por apenas 0,6% do total de área que a empresa possui, mas têm potencial de gerar R$ 500 milhões por sua localização estratégica.

A Fibria afirmou ontem que planeja investir R$ 1,69 bilhão em 2015, aumento de 5% em relação aos gastos de 2014, que devem somar R$ 1,61 bilhão.

Os recursos serão destinados, entre outros fins, para inovação e modernização da empresa, compra de madeira de terceiros e renovação florestal. A partir de 2017, com a redução de compra de madeira terceirizada, a tendência é que a empresa reduza seus investimentos para cerca de R$ 1,45 bilhão.

Quanto à ampliação da capacidade, Castelli afirmou que o conselho da Fibria deve discutir, ainda no primeiro trimestre do próximo ano, a instalação da segunda linha de produção da fábrica de Três Lagoas (MS). A nova planta vai adicionar 1,75 milhão de toneladas anuais à capacidade atual, de 1,3 milhão de toneladas de celulose.

Anteriormente, a companhia havia dito que esta decisão poderia ser tomada ainda em 2014. "Avançamos no detalhamento do projeto, já fizemos todas as rodadas de dúvidas técnicas", disse o executivo. Segundo ele, fornecedores da nova planta pediram mais tempo para entregar propostas técnicas, o que atrasou o cronograma. Caso o projeto seja aprovado agora, a ideia é que a unidade entre em operação no fim de 2017.

"Já subimos para o conselho o material para começar a discussão, que pode levar três meses, dois meses. Por isso, estimamos que uma decisão para tocar em frente ou não saia até o final do primeiro trimestre", explicou Castelli.

Dívidas. O presidente da Fibria prevê um 2015 "desafiador", por causa da volatilidade no câmbio e do impacto da inflação nos custos, como já observado em 2014. "A estratégia de disciplina continua, produzindo mais e gastando menos", afirmou. Desde sua criação, em 2009, a união da Aracruz e da VCP viveu um longo período de redução de endividamento.

"Viramos uma página", disse Castelli, ao da melhora de indicadores do perfil da dívida da empresa. Nos últimos cinco anos, a empresa reduziu sua alavancagem de 8,6 vezes o Ebitda (lucro antes de juros, tributos, depreciações e amortizações) em dólar para 2,5 vezes, no terceiro trimestre. Com isso, passou a ser classificada na categoria grau de investimento pela agência Fitch em fevereiro.

Depois de conseguir reduzir os passivos, Castelli enfatiza que a Fibria passa a olhar novas oportunidades de negócios. O executivo frisou que o objetivo é buscar expansão orgânica nos setores em que empresa já atua.

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