Fibria tem prejuízo no 2o tri, mas vê demanda forte na Ásia

A produtora de celulose Fibria viu a depreciação do real frente ao dólar influenciar o prejuízo líquido do segundo trimestre, mas ao mesmo tempo impactar positivamente no Ebitda, aliado ao aumento de preços de celulose no período.

ROBERTA VILAS BOAS, Reuters

26 de julho de 2012 | 12h53

A empresa, que aumentou os preços da tonelada do insumo em abril, acredita ainda ser cedo para avaliar um novo reajuste nos valores devido ao atual cenário econômico. Entretanto, mesmo com uma desaceleração no mercado asiático, a demanda da região continuará forte.

"Os fundamentos continuam nos mostrando que existem um mercado apertado. Se vamos conseguir ou não aumentar preços no segundo semestre, ainda é cedo para pensar", disse o presidente da empresa, Marcelo Castelli, em teleconferência com jornalistas nesta quinta-feira.

A Fibria registrou um aumento de 3 por cento nas vendas de celulose no segundo trimestre, ante igual período de 2011, mas queda de 4 por cento em relação ao trimestre imediatamente anterior, devido a menor venda para a Ásia.

"A China reduziu sua demanda mas é porque tem efeito da recomposição de estoques", explicou Castelli.

"Nossa visão em relação a China é que, apesar dos ajustes econômicos, quando você olha estruturalmente o PIB chinês, não é ruim. A intenção do governo chinês é fomentar o consumo interno, isso fortalece nossa indústria, que está ligada a consumo interno."

O diretor comercial da empresa, Henri Phippe Van Keer, afirmou que o piso de 700 dólares a tonelada da celulose para a Ásia está assegurado, e que os estoques deverão ficar em níveis baixos.

"No nosso entendimento, o piso de 700 dólares está assegurado. E a produção de papel não está parada. Portanto, a gente acredita que China e Ásia vão chegar a estoques muito baixos nos próximos dois meses", disse, em teleconferência com analistas.

A Fibria registrou um prejuízo líquido de 524 milhões de reais no segundo trimestre, acima da estimativa de nove analistas, de perdas de 731 milhões de reais.

O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou 550 milhões de reais, alta anual de 12 por cento, sendo que a margem Ebitda ficou em 37 por cento no período.

Para o restante do ano, a Fibria demonstrou otimismo. "O ano de 2012 se apresenta como um ano de recuperação de desempenho, não só da Fibria, mas da indústria. A margem Ebitda desse trimestre foi superior, e isso tem a ver com a recuperação dos preços e a valorização do dólar", disse Castelli.

"Com isso, a gente prevê que o segundo semestre será melhor que o primeiro, dado que a gente já começa em julho com patamar do cambio mais positivo, e preço de celulose médio maior", completou.

DÍVIDA

O segundo trimestre foi marcado por uma oferta de ações da empresa que influenciaram na redução da dívida líquida da empresa em 6 por cento ante os três primeiros meses do ano.

No período, a empresa também recomprou mais de 500 milhões de dólares em bônus da dívida que venciam em 2020, e segundo o diretor de relações com investidores, Guilherme Cavalcanti, a empresa poderá voltar a fazer recompras.

"De fato, a gente comprou 514 milhões de dólares de bônus que vencem em 2020. A gente, com a geração de caixa nos próximos meses, de fato, pode vir a recomprar alguns bonds, mas isso ainda não está decidido", disse na teleconferência com jornalistas.

No segundo trimestre, a dívida líquida da Fibria foi de 8,462 bilhões de reais, sendo que a relação entre a dívida líquida e o Ebitda ficou em 4,7 vezes, ante 5,2 vezes nos três primeiros meses de 2012.

TRÊS LAGOAS E LOSANGO

Questionado sobre o projeto de Três Lagoas (MS), onde pretende ter uma nova unidade prevista para 2014, Castelli ressaltou que não há novidades, mas que, se a decisão fosse tomada agora, considerando a atual situação econômica, o projeto não seria aprovado.

"Não temos nenhuma decisão sobre Três Lagoas. Se fôssemos tomar a decisão hoje, com esse mercado, nós não iríamos para frente, pois não queremos nos expor a uma incerteza macroeconômica. Estamos confortáveis, esperando o melhor momento para tomar a decisão", ressaltou.

Já sobre a venda do Projeto Losango, no Rio Grande do Sul, o presidente da Fibria mantém a expectativa de concluir a operação até o fim do ano.

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