Ficamos presos à tese da estabilidade, avalia Piva

A exemplo do presidente da República, o presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva, também fez o próprio balanço dos sete anos do governo Fernando Henrique Cardoso. Com uma visão mais desenvolvimentista do que a equipe econômica do governo, Piva teceu uma série de críticas à gestão da economia.Mas também fez elogios à estabilização de preços, à Lei de Responsabilidade Fiscal e às privatizações, além da atual boa imagem do País no Exterior.?Foi um governo de méritos importantes?, disse o presidente da Fiesp em entrevista ao jornal Conta Corrente, da GloboNews. ?Mas nós não conseguimos partir para o crescimento. Nós ficamos muito presos à tese da estabilidade.?Produção é solução para o PaísHorário Lafer Piva cobrou, entre outras coisas, as reformas tributária, previdenciária e trabalhista. Cobrou também a redução do custo de capital, o enfrentamento da fragilidade externa do País com uma forte ofensiva exportadora e a substituição de importações.O representante da indústria paulista também reivindicou uma taxa maior de crescimento para a criação de empregos e também uma melhor distribuição de renda. ?Claro, respeitando a questão da estabilidade, buscando a consistência fiscal, mas efetivamente olhando o extraordinário potencial que este País tem no mercado interno e nos novos nichos no mercado externo?, esclareceu o empresário.?E que precisam para isso de muita vontade política e um direcionamento, que parte do presidente para os seus ministérios, voltado para a questão da produção como uma das soluções para este País.?Jabuticaba e reforma tributáriaPara crescer mais, Piva sugere que o Brasil busque novos mercados de exportação para os seus produtos e, ao mesmo tempo, levante as questões que dificultam esse maior acesso ao mercado externo. A questão da reforma tributária, para evitar que o País exporte impostos, a substituição de importações e a melhoria dos portos são algumas das medidas sugeridas para aumentar as exportações.?(Os empresários) não podem continuar com esta assimetria que nós temos em relação aos países desenvolvidos?, frisou o presidente da Fiesp. ?A questão dos impostos é dramática, mas a questão da promoção comercial, a questão do financiamento à exportação são pontos que precisam ser enfrentados. O Brasil é o único país do mundo que tem jabuticaba e esta legislação tributária.?Taxa de jurosOutro mecanismo importante para gerar o crescimento, segundo o empresário, é a queda dos juros. ?O Banco Central pode, se não reduzir a taxa de juros, pelo menos, colocar em viés de baixa, que crie uma percepção positiva no empresário e o induz a tomar a decisão de investimento com mais facilidade?, sugere Piva.O presidente da Fiesp disse ainda que se o País tiver uma situação de ?constrangimento externo? melhor, conseqüentemente terá uma menor taxa de risco do país: ?Você tem um fluxo maior de recursos a taxas mais competitivas e a prazos mais longos.?

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