PORTHUS JUNIOR/Agência RBS
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Ficar em casa é mais rentável do que trabalhar, diz caminhoneiro

Empresário dono de uma pequena frota de caminhões de carga no Rio Grande do Sul aderiu à greve para pedir melhoria na remuneração do serviço

Gabriela Lara, correspondente, O Estado de S. Paulo

10 de novembro de 2015 | 16h04

PORTO ALEGRE - O empresário Cesar Paulo Philippsen tem uma pequena frota de caminhões de carga no noroeste do Rio Grande do Sul e aderiu totalmente à paralisação da categoria iniciada nesta segunda-feira. Todos os motoristas que dirigem os seis veículos de sua propriedade estão em casa de braços cruzados. Só não estão protestando nas rodovias por causa da forte chuva que afeta o Estado nesta terça-feira. Apesar de defender a saída da presidente Dilma Rousseff do governo, o empresário argumenta que, para ele, o principal foco do movimento grevista é melhorar a remuneração do serviço prestado.

"Ficar em casa parado hoje é melhor do que viajar. Estamos trabalhando com frete no mesmo valor de 2003, mas com o óleo diesel muito mais caro, além dos outros custos que também estão maiores", disse ao Broadcast Agro, serviço de informações em tempo real da Agência Estado. De acordo com o empresário, o preço pago pela tonelada transportada da cidade de Santo Augusto até o Porto de Rio Grande, em 2003, era R$ 75, mesmo valor oferecido atualmente. Já o óleo diesel pulou de R$ 0,80 para R$ 3 o litro no mesmo período, segundo ele.

"A situação do setor veio se deteriorando ao longo dos anos, mas chegou a um ponto em que não dá mais", disse. Ele explica que as principais reivindicações da categoria são a redução do preço do diesel e a adoção e o cumprimento de uma tabela mínima para o frete, como a que existe para taxistas, por exemplo. Philippsen também pleiteia melhores condições para o financiamento de caminhões.

O Comando Nacional do Transporte (CNT), grupo que organiza as manifestações iniciadas esta semana e mobiliza os caminhoneiros autônomos por meio das redes sociais, afirma que o objetivo primordial do movimento é exigir a saída da presidente Dilma Rousseff. O pequeno empresário de Santo Augusto diz concordar com mais esta reivindicação. "Levamos a pauta a Brasília no início do ano e não fomos atendidos em nada. Este governo só negocia no Congresso, com deputados e senadores. Eles negociam cargos, negociam com políticos corruptos, não com quem está trabalhando", falou. "O intuito da greve é sacudir a população toda para ir às ruas, porque do jeito que está vai quebrar todo mundo."

Ele acredita que, quando a chuva der uma trégua no Rio Grande do Sul, o movimento vai ganhar força novamente. Nesta terça-feira, por causa do mau tempo, os bloqueios nas estradas diminuíram no Estado. Ontem, os protestos foram mais intensos, o que provocou alguns incidentes à noite. Na cidade de Três Cachoeiras, no litoral norte gaúcho, o motorista de um caminhão foi apedrejado e tombou o veículo quando tentou furar um bloqueio. Outros dois caminhões também foram apedrejados ao passarem por manifestantes em Camaquã, no centro-sul do RS.

Na manhã desta terça-feira, a Justiça do Rio Grande do Sul deferiu um pedido de liminar feito pelo Ministério Público referente ao bloqueio de caminhoneiros na RS-122, entre as cidades de Caxias do Sul e Farroupilha, na Serra Gaúcha. Conforme a decisão, em caso de interdição na estrada será aplicada uma multa diária de R$ 50 mil ao Comando Nacional de Transporte, que convocou a paralisação. Após a determinação da Justiça, os caminhoneiros que estavam no local se desmobilizaram. 

No início desta tarde, havia protestos em diferentes pontos de estradas estaduais e federais que passam pelo Rio Grande do Sul. Praticamente todos, no entanto, ocorriam sem interdição das rodovias.

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