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Ficou para depois

O IBC-Br de maio veio ruim demais e despejou água fria no caldeirão que já vinha demorando para esquentar

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

14 Julho 2016 | 21h00

Aquela expectativa de que os primeiros sinais da retomada atividade econômica estavam para se manifestar está ficando para depois, sabe-se lá para quando, talvez para agosto. O IBC-Br de maio veio ruim demais e despejou água fria no caldeirão que já vinha demorando para esquentar.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central, nome e sobrenome do IBC-Br, é o indicador criado em 2010 pelo Banco Central para antecipar o comportamento das Contas Nacionais, calculadas pelo IBGE, as mesmas que apontam o PIB de cada trimestre. É que o PIB só é conhecido cerca de dois meses após o fechamento de um trimestre e a economia precisa trabalhar com informações mais quentes. Daí o IBC-Br, que o Banco Central divulga todos os meses, com informações provisórias e sempre sujeitas à revisão.

Os números de maio vieram decepcionantes. Apontaram, na série submetida a ajuste sazonal, para uma queda da atividade econômica de 0,51% em relação a abril. A marcha à ré da renda nacional (já descontada a inflação), apenas nos primeiros cinco meses do ano, é de 5,79% e nos últimos 12 meses acumula retração de 5,43%, ambos sem o ajuste sazonal.

Outros números de maio divulgados por outros institutos de aferição da economia, inclusive os do IBGE, como os da produção industrial, os das vendas ao varejo e o desempenho do setor de serviços, já vinham apontando para a continuação da fase ruim, que vem desde 2014. Mas ninguém esperava que fosse tão longe.

Esses números do IBC-Br sugerem que o segundo trimestre deste ano também foi de forte recessão e que uma recuperação vai sendo empurrada para o segundo semestre.

Para o bem ou para o mal, algumas razões vão criando a expectativa de que o mês crucial da atividade econômica poderá ser agosto. E isso nada terá a ver com os Jogos Olímpicos. É o mês em que o Senado terá de decidir se a presidente Dilma continua morando no Palácio da Alvorada ou se vai definitivamente para casa. É, por isso, o ponto a partir do qual ficará definida a natureza da política econômica que prevalecerá até 2019. Em agosto, o Congresso terá de dar melhores indicações sobre o futuro do Projeto de Emenda à Constituição (PEC) que determina os limites para expansão da despesa pública à inflação passada. E será, também, o mês em que o governo Temer terá de apontar com mais precisão como será a política fiscal e de onde obterá os recursos necessários para fechar o Orçamento da União de 2017.

A partir daí, deslancharão – ou não – os novos programas de desenvolvimento, o cronograma de leilões de concessão de serviços públicos e de privatização e a abertura do mercado de produção de petróleo. E se saberá qual será o nível de confiança dos agentes econômicos internos na política econômica adotada e até que ponto os investidores estrangeiros acreditarão na capacidade do governo brasileiro de resolver os problemas que há tanto tempo não param de acumular. Façam suas apostas, senhores.

CONFIRA:

Esta é a evolução das cotações do dólar no câmbio interno em julho.

Mais confiança

Apesar da volatilidade, o dólar acentuou queda no câmbio interno, a despeito das intervenções do Banco Central. A nova direção já realizou nove leilões de swap reverso (equivalentes a venda futura de dólares), de cerca de meio bilhão de dólares por vez. Este é um indicador de que há mais otimismo. Reflete, também, o enfraquecimento da moeda estrangeira por causa da baixa disposição dos grandes bancos centrais de elevar os juros, hoje negativos.

 

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