Fida pede ação coordenada contra aumento da pobreza

O Encontro de Primavera do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial deve ser usado como oportunidade para um acordo amplo e de ação coordenada para evitar aumento da pobreza, fome e má nutrição, além de construir as bases para a produção adequada de alimentos e combustíveis no mundo. "Sem isto, vidas estão em risco e também o progresso de diversas Metas de Desenvolvimento para o Milênio", advertiu o presidente do Fundo Internacional para Desenvolvimento Agrícola (Fida), Lennard Bäge, em discurso hoje no Comitê de Desenvolvimento do Banco Mundial, em Washington. "Responder efetivamente ao impacto dos elevados preços de alimentos deve ser a prioridade para a comunidade global."Globalmente, disse, os preços de grande parte das commodities agrícolas básicas estão alcançando os maiores níveis em 30 anos. Bäge destaca o avanço do preço do arroz, que saltou 47% desde janeiro, e cita projeção da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), indicando 56% de aumento no custo das importações de cereal para os países mais pobres em 2007 e 2008. "Enquanto a perspectiva é incerta, grande parte das projeções sugere que preços mais elevados devem continuar por algum tempo."É preciso uma resposta imediata, afirma Bäge, simplesmente para evitar o aumento da fome e da má nutrição. Ecoando as observações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, no discurso feito hoje ao mesmo Comitê, onde afirmou que os subsídios agrícolas estão afastando do negócio os pequenos produtores de alimentos, Bäge observou que também é preciso dar uma resposta imediata aos produtores para estímulo da produção no curto prazo, por meio da expansão do acesso a insumos, como sementes e fertilizantes.Como a alta dos preços deve atingir mais os países em desenvolvimento, Bäge disse ao comitê que isto deve se traduzir em aumento da forme e má nutrição quando combinado com custos acentuadamente elevados dos combustíveis. Como resultado da mudança climática, a Fida estima queda de 50% na colheita até 2020 em alguns países.Bäge lembra que a Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) concordou, por unanimidade, em realizar um encontro, em setembro, para decidir como atingir as necessidades da África para desenvolvimento de forma mais apropriada.

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