Fidel denuncia estragos da globalização nos últimos 25 anos

Embora tenha cancelado sua participação na XI Assembléia Geral da Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad), em São Paulo, o presidente de Cuba, Fidel Castro, encaminhou documento, lido esta manhã durante a sessão inaugural do evento, no qual denuncia o que considera estragos sociais e humanos provocados pela globalização neoliberal nos últimos 25 anos. Fidel ressalta que, além de ter pago US$ 5,4 trilhões entre 1982 e 2003, a título de juros, por uma dívida de US$ 2,6 trilhões - o que significa que o atual montante foi honrado mais de duas vezes -, os países mais pobres do Planeta não só não receberam a ajuda prometida para o desenvolvimento, como foram prejudicados por causa de um intercâmbio comercial completamente desigual. De acordo com o texto do presidente cubano, os países ricos chegaram a prometer uma ajuda financeira de 0,7% do PIB das nações desenvolvidas, cifra que, se concretizada, chegaria a US$ 175 bilhões por ano.Em 2003, entretanto, o Terceiro Mundo recebeu ajuda oficial de apenas US$ 54 bilhões. Nesse mesmo ano, os países pobres pagaram aos países ricos US$ 436 bilhões por serviço de suas dívidas. O mais rico de todos, os Estados Unidos, é o país que menos cumpriu a promessa, ao destinar para esta ajuda apenas 0,1% de seu PIB. Além disso, os países ricos gastaram US$ 300 bilhões a cada ano para pagar subsídios que impedem o crescimento das exportações das nações pobres. "É quase impossível mensurar o dano provocado aos países pobres pelo tipo de relacionamento comercial que, por meio de caminhos sinuosos da OMC e dos tratados de livre comércio, se impõem aos países pobres, incapazes de competir com a tecnologia sofisticada, o monopólio quase total da propriedade intelectual e os imensos recursos financeiro dos países ricos", diz o documento de Fidel Castro.O texto informa ainda números impressionantes sobre as conseqüências sociais da globalização. Entre eles, Fidel Castro diz que, há 25 anos, existiam 500 milhões de pessoas que passavam fome. Hoje, esse número sobiu para 800 milhões. De acordo com o documento, 85% da população mundial constituída por países pobres consomem apenas 30% da energia, 25% de minerais e 15% da madeira.

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