Fidel e Chávez ovacionados por 50 mil pessoas em Córdoba

O presidente venezuelano Hugo Chávez deu um presente antecipado "ao amigo Fidel", que completa 80 anos em breve, e lhe ofereceu um "banho de povo" na cidade argentina de Córdoba. Chávez e o governante cubano tinham participado horas antes da cúpula do Mercosul, em que a Venezuela estreava como membro pleno. Fidel foi o convidado especial do encontro, num gesto político justificado pelo acordo de complementação econômica assinado entre Cuba e os países do bloco.À tarde, foi a vez do contato "com o ilustre e combativo povo de Córdoba", nas palavras de Chávez. Cerca de 50 mil pessoas segundo a organização, ou 30 mil segundo os fotógrafos que cobriam o ato, aplaudiram com entusiasmo os dois governantes.A maioria era de estudantes da Universidade de Córdoba. Mas também havia vários representantes de organizações sociais, sindicatos, e grupos de piqueteiros (desempregados), muitos deles vindos de outras províncias. O presidente boliviano, Evo Morales, não compareceu.O astro do evento deveria ser Chávez. Mas a chegada de Fidel, que não havia sido confirmada até a última hora, mudou o quadro. Chávez falou por uma hora, criticando o imperialismo americano e defendendo a nova integração latino-americana. Para ele, o fortalecimento do Mercosul é o primeiro passo para conseguir "uma só força política, econômica e social do Caribe ao Rio da Prata". Disse também que "o império americano será como disse Mao Tsé-tung, um tigre de papel e nós seremos um tigre de aço".Fidel: idéias contra armasFidel tirou a gravata que tinha usado durante a cúpula e, com sua farda verde-oliva, discursou durante 2h55, apesar do frio que o obrigou a vestir um cachecol. O governante cubano reforçou seus conceitos antiimperialistas e analisou a história americana para lembrar as intervenções de Washington ao longo dos anos. No entanto, garantiu que o poderio bélico americano não serve para nada porque "no futuro as batalhas não serão com as armas, e sim com as idéias".Outro ponto destacado foi a "imperiosa necessidade de acabar com o problema dos mais de 200 milhões de analfabetos funcionais da América Latina". "Temos que preparar um programa para erradicar o analfabetismo neste hemisfério em três anos", defendeu, em meio a elogios ao Mercosul e votos de que o bloco se amplie nos próximos anos.Segundo o governante, atualmente Cuba importa produtos do bloco no valor de US$ 500 milhões e exporta US$ 50 milhões. Fidel, que em agosto completa 80 anos, ouviu o coro de "Parabéns pra você", para depois se despedir com o tradicional grito de "Pátria ou morte".

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