Fidelização é palavra de ordem nas distribuidoras de energia

Fidelização, relação duradoura com a clientela e serviços customizados. Esses termos, inimagináveis até pouco tempo atrás na área de distribuição de energia elétrica, ainda soam um pouco estranhos para quem vende uma commodity, a energia elétrica. Com a aproximação do processo de abertura do setor, o que deverá incrementar a competição por grandes clientes, esses conceitos viraram palavras de ordem para as distribuidoras, que buscam avidamente a manutenção de seus maiores consumidores em suas redes.Distribuidoras como Light e Copel se esmeram no tratamento aos clientes que poderão, em breve, delegar a seus fornecedores serviços antes encontrados somente em consultorias especializadas, como o rastreamento de pontos de desperdício em uma unidade industrial ou o aconselhamento para o uso mais eficiente de energia elétrica. Grandes empresas, a maioria da área industrial, com demanda igual ou superior a 3 megawatts (MW), já podem optar pelos fornecedores de sua preferência para receber energia em alta tensão (com mais de 69 kV).De acordo com técnicos do setor elétrico, se o próximo governo não mudar as definições do Comitê de Revitalização do Setor Elétrico em relação ao ritmo de abertura da área de distribuição, em julho de 2003 o teto que mantém os consumidores "cativos" às empresas será rebaixado para 1 MW. Em julho do ano seguinte, a condição de consumidor livre será extensiva a todos os clientes de alta tensão (servidos com energia com tensão igual ou superior a 13,2 kV).A pioneira CopelA Copel foi uma das pioneiras na oferta de um mix de serviços diferenciados para os maiores consumidores de sua área. A empresa tornou-se célebre por protagonizar a primeira conquista de um grande cliente de outra companhia do setor, pondo fim ao regime de monopólio regional e inaugurando a livre competição no segmento. Em 2000, depois de oferecer serviços diferenciados, a companhia paranaense conquistou o fornecimento à Carbocloro, grande consumidor instalado em Cubatão (SP), antes atendida pela Eletropaulo. O que motivou a mudança, conforme declarações do vice-presidente da Carbocloro, Mário Cilento, na época, foi o tratamento que a companhia passou a receber como cliente. Já a Light, distribuidora que atende a área metropolitana do Rio de Janeiro (RJ), que também adotou uma política de prestação de serviços diferenciados, passou a oferecer recentemente serviços de eficientização energética para 150 lojas da rede Pão de Açúcar, a maioria em São Paulo e onze delas no Rio de Janeiro. Outro cliente é o frigorífico baiano Cefrinor. A prestação desses serviços não está associada ao fornecimento de energia. Pelo menos por enquanto. "A nossa preocupação é expandir o relacionamento com o mercado, e estreitá-lo com grandes clientes", disse o superintendente de Grandes Clientes da Light, Marco Antônio Donatelli. Ele acrescentou que a iniciativa se adequa às exigências legais de investimentos da companhia em políticas visando o aumento da eficiência energética.AberturaO processo de abertura do mercado foi iniciado em 1995, com a lei 9.074, que na prática pôs fim ao regime de monopólio regional exercido ferrenhamente pelas distribuidoras desde o predomínio do controle estatal. A lei estabeleceu que os consumidores de alta tensão com demanda igual ou superior a 10 megawatts (MW) poderiam escolher os seus fornecedores de energia. Em 2000, esse limite foi rebaixado para 3 MW, mais palpável. Mesmo com a possibilidade de buscar oportunidades de melhores preços e condições de atendimento, muitas empresas que se encaixam no figurino de consumidores livres preferem permanecer "cativos". Isso, segundo técnicos, se explica pela insegurança que ainda inspiram algumas indefinições no terreno regulatório.Pelo modelo de setor elétrico definido em meados dos anos 90, a expectativa era de que a partir de 2003 houvesse um processo crescente de liberação dos clientes das distribuidoras para a livre escolha de seus fornecedores, até chegar, em 2005, aos consumidores residenciais. Diante dos problemas proporcionados às distribuidoras pelo racionamento de energia e das pressões dos agentes deste segmento para que a abertura seja mais lenta e gradual, especialistas acreditam que a competição deverá chegar mais tarde ao consumidor residencial. Leia mais sobre o setor de Energia no AE Setorial, o serviço da Agência Estado voltado para o segmento empresarial.

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