'Fies 2.0' deve ser apresentado em maio

Associação sugere alternativa para financiamento estudantil com base em parcerias com empresas privadas

NAYARA FRAGA, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2015 | 02h06

A Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Educação Superior (Abraes), que reúne alguns dos maiores grupos educacionais privados do País, deve apresentar em maio uma alternativa ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), programa do governo que financia a educação superior para alunos de instituições privadas. Apelidado de "Fies 2.0", o programa será formatado por meio de parcerias entre bancos e empresas privadas.

"A ideia é ter um programa tão amplo quanto o Fies, mas com pequena ou nenhuma participação do dinheiro do governo", diz a diretora executiva da Abraes, Elizabeth Guedes.

O juro do empréstimo não será tão baixo quanto o do Fies (3,4% ao ano), mas também não será tão alto quanto os juros bancários, segundo Elizabeth. A taxa média de juro do crédito para pessoa física nos bancos passa de 30% ao ano, de acordo com o Banco Central.

O Fies 2.0 também pretende fazer uma combinação entre a renda familiar do aluno e a nota de corte no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Assim, seria exigido de quem estudou em escola particular uma nota maior do que a de quem estudou em escola pública.

A nota no Enem é uma das principais fontes de polêmica no setor atualmente. Entre as novas regras do Fies está a exigência de que o estudante alcance pelo menos 450 pontos no exame para se candidatar ao financiamento. Isso significa que o principal público do Fies, os estudantes de renda mais baixa, serão os mais afetados. Como revelou o Estado no domingo passado, os dados de 2012 do Enem mostram que 93% dos alunos que não chegam aos 450 pontos são de famílias com renda de até 5 salários mínimos.

A Abraes começou a estudar uma alternativa ao Fies no dia 2 de janeiro, poucos dias depois de o governo publicar a Portaria Normativa nº 21, de 26 de dezembro de 2014, que assustou o setor com as mudanças no programa. "Fomos pegos de surpresa", conta Elizabeth.

Desde então, técnicos contratados pela associação estão arquitetando o Fies 2.0 (o nome oficial do programa ainda não foi escolhido). A associação estuda a criação de um fundo para captar os recursos.

A Abraes representa os grupos de educação Anima, Devry, Estácio, Laureate e Kroton.

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