Fiesp avalia que emprego na indústria "continua chochinho"

O desempenho de 0,12% de alta no nível de emprego da indústria paulista em fevereiro ante janeiro, sem ajuste sazonal (sem considerar efeitos temporais desta época do ano), demonstra que o emprego no setor "continua chochinho". A opinião é do diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas (Depecon) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, que entende que o fraco desempenho do emprego da indústria decorre do comportamento ruim verificado na economia a partir do terceiro trimestre do ano passado.Embora a Fiesp esteja otimista e esperando um crescimento econômico de 4% para o País neste ano, o diretor da entidade empresarial ressalvou que os reflexos sobre o mercado de trabalho deverão levar algum tempo para se manifestar. "Identificamos aumento de atividade industrial em novembro, dezembro e janeiro, mas sem magnitude para provocar reflexos no emprego", analisou."Acredito que, em fevereiro, o Indicador de Nível de Atividade (INA) não vai nos decepcionar e que pode acarretar em algum aumento de emprego lá para abril", estimou, numa indicação de que o emprego na indústria tende a se manter estável, ou com algum aumento, nos próximos meses.Defasagem de tempoFrancini observou que há uma defasagem de período entre a expansão de atividade e os movimentos do mercado de trabalho, isso porque, antes de contratarem ou demitirem, os empresários preferem usar de recursos de flexibilização de uso da mão-de-obra, valendo-se de mecanismos, como horas extras ou concessão e postergação de férias. "Diminuir ou aumentar emprego custa caro e as empresas não gostam de ter esses gastos, tanto em demissão, que resulta em multas de 50% do valor acumulado em depósitos do FGTS, como de contratar, porque o empregado precisa de treinamento e a produtividade de um novo contratado, pelo menos nos primeiros 60 dias, é inferior em relação a um funcionário mais antigo", explicou.Por isso, insistiu o diretor da Fiesp, pequenas expansões da atividade econômica não deverão influir na média de empregos da indústria. "Há exceção, evidentemente, em alguns setores, como aqueles ligados às safras agrícolas, que não têm jeito e precisam contratar pessoas para executar a colheita e tocar a produção", ponderou.Nova metodologiaA Fiesp informou que a pesquisa de emprego divulgada hoje passou a ser produzida por uma nova metodologia. A amostra deixou de ser baseada por respostas de sindicatos e passou a ser produzida diretamente com informações das indústrias, com base no Cadastro de Estabelecimentos e Empresas (CEE) do Ministério do Trabalho. Além disso, os pesos setoriais e os portes de cada empresa passaram a ponderar o conjunto de informações que resulta no nível de emprego.Assim, Francini entende que a pesquisa passará a ter "mais robustez", ao mesmo tempo em que a Fiesp passa a ter mais segurança para divulgar os dados de emprego. Por conta da nova metodologia, a Fiesp não conta com dados comparativos do emprego industrial, em relação a anos anteriores, e, ao mesmo tempo, só deverá divulgar índices com ajuste sazonal dentro de um prazo de dois anos e meio, quando contará com bom volume de informações produzidos com a nova metodologia.

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