Fiesp avalia que pacote cambial terá pouco efeito no dólar

O pacote de medidas cambiais, anunciado na última quarta-feira pelo governo, terá efeito pequeno na movimentação da cotação do dólar, na avaliação do presidente da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex) e diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca. "Uma das grandes perguntas é se (o pacote cambial) vai ter efeito na taxa de câmbio. Que vai ter algum efeito, vai. Mas vai ser levemente marginal", afirmou, em palestra para empresários nesta sexta-feira, promovida pela Câmara Americana de Comércio-RJ (Amcham-RJ ). Em sua palestra sobre legislação cambial, Giannetti alertou àqueles que esperam grandes mudanças na cotação do câmbio originadas do pacote cambial. "Isso (o pacote) não é solução mágica para levar o dólar a R$ 2,80", afirmou, considerando que as medidas não são de curto prazo. Para ele, o pacote de medidas será de grande valia aos exportadores. "Mas não resolve essa disparidade cambial que afeta a rentabilidade de nossas exportações", afirmou, referindo-se ao fato de o dólar, quando em cotação baixa em relação ao Real, prejudica os ganhos das empresas em suas vendas externas. Giannetti comentou que o dólar baixo não é uma questão a ser resolvida pelo pacote de medidas cambiais. Na avaliação dele, enquanto os juros no Brasil se posicionarem em um patamar elevado, em relação ao mercado internacional, o fluxo de entrada de dólares no Brasil vai continuar expressivo - derrubando assim a cotação da moeda norte-americana, e afetando, indiretamente, a rentabilidade das exportações brasileiras. Limite Ainda, segundo Giannetti, o limite do fim da cobertura cambial a 30% dos recursos dos exportadores "pode chegar a 100% em dois anos". Em palestra hoje, promovida pela Câmara Americana de Comércio. Ele observou que o patamar de 100% constava do projeto original de reforma cambial que a Fiesp apresentou ao Senado. "O Brasil é muito criativo e inventou essa meia cobertura cambial. É uma jabuticaba", afirmou. Durante sua palestra, ele explicou que na Medida Provisória com as medidas, que será enviada ao Congresso, será estabelecido que o Conselho Monetário Nacional (CMN) arbitrará sobre o patamar limite, que poderá ser entre 0% a 100%. "A vontade do Banco Central é que se chegue a 100%. Mas quem não deixa é a Receita, que não quer perder CPMF dos 70% (do total de recursos dos exportadores que precisa ficar no País - visto que o limite porcentual de dólares que poderão ficar no exterior é de 30%)", disse. Giannetti voltou a falar que o patamar de 30% foi "conservador" e lembrou que o próprio Ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, mencionou um patamar de 50%. "Mas eu entendo que esse patamar (de 30%) é inicial e provisório", disse. Digitalizado O presidente da Funcex ressaltou que o contrato de câmbio será, em breve, totalmente digitalizado e de "apenas uma página". "Estive hoje de manhã no Banco Central. O contrato (de câmbio para exportação) simplificado está quase pronto. Será totalmente digitalizado - e acho que a indústria de papel não gostará nada disso", brincou. Ele comentou que, atualmente os contratos de câmbio para exportação são feitos com uma enorme burocracia, "com sete vias para serem enviadas. Um desperdício de papel", comentou. Na avaliação de Giannetti, o contrato deve ficar pronto em breve, provavelmente em agosto. Ele comentou que, em determinadas empresas, são contratadas de dez a 15 pessoas só para os contratos de câmbio para exportação, atualmente. "Com o contrato digitalizado, simplificado, o custo é muito mais baixo", disse.

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