Fiesp: Brasil não apresenta crescimento sustentável

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, encarou com cautela o crescimento de 5,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do País no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2007. Skaf ponderou que, apesar de a indústria ter puxado o PIB, o Brasil ainda não está no caminho certo para o crescimento da economia, principalmente por causa da carga tributária do País."O Brasil tem toda a possibilidade de crescer de forma sustentável, porém juros altos, câmbio sobrevalorizado, novos impostos e gastos públicos crescentes vão na contramão do crescimento", disse Skaf. "Não podemos acreditar que, assim, estejamos no caminho do crescimento sustentável. Correções precisam ser feitas."Skaf lembrou a necessidade de promover reformas estruturais, como a tributária. "É preciso criar condições para o crescimento", disse. "O crescimento que o Brasil precisa é de 5% ou 7% ao ano, mas não por um ou quatro anos. Temos de crescer pelas próximas décadas."O presidente da Fiesp calcula que, enquanto o PIB cresceu 5,8%, a arrecadação de impostos indiretos aumentou 8% no período. "É o sexto trimestre consecutivo em que o crescimento dos impostos supera o da produção, agricultura, indústria, comércio e serviços no País", disse Skaf.Ele criticou a tentativa de criação da Contribuição Social da Saúde (CSS), que pode ser votada ainda hoje pela Câmara. "É muito estranho que os representantes do povo estejam pensando em mais um imposto, mesmo com a rejeição da sociedade."Skaf defendeu que, em vez de aumentar juros, o governo tente diminuir seus gastos para conter a inflação. "A alta dos juros é lamentável. Se há preocupação com a inflação, deveria-se olhar para os gastos públicos", disse. "Com a elevação dos juros você desestimula o investimento e, portanto, o desenvolvimento do País."

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