Fiesp cobra investimento em logística e infra-estrutura

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, disse hoje que o Brasil precisa encontrar uma forma de priorizar os investimentos em logística e infra-estrutura, se não quiser perder sua competitividade em relação a outros países. De acordo com ele, o Brasil ainda investe pouco neste setor e gasta muito para manter uma estrutura incapaz de assegurar a produtividade. "Precisamos discutir o máximo possível a questão logística. Precisamos buscar soluções e precisamos de investimentos maciços em infra-estrutura."Citando dados divulgados pela imprensa internacional, Skaf lembrou que a Espanha investirá cerca de US$ 300 bilhões em logística nos próximos 15 anos. Ele acrescentou que, nos últimos dez anos, o orçamento do Ministério dos Transportes no Brasil ficou na casa dos R$ 2 bilhões. "A Espanha, que tem uma área do tamanho de Minas Gerais, um pedacinho do Brasil, fora o que já investiu, tem previsão de investir US$ 300 bilhões em 15 anos. Isso dá quase US$ 20 bilhões por ano, em média", disse. "Ou seja, nós temos muita coisa ainda para fazer no Brasil", acrescentou.Skaf aproveitou a oportunidade para comentar novamente o crescimento de 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no primeiro trimestre anunciado ontem. De acordo com ele, o resultado comprovou as expectativas da Fiesp e se mostrou "ridículo" diante das necessidades do País. "Se anualizarmos esse 0,3%, podemos projetar um crescimento de 1,21% no ano e isso é um crescimento ridículo para o Brasil", afirmou, insistindo que se as taxas de crescimento anual da China e dos Estados Unidos forem avaliadas por este mesmo critério, é possível projetar um avanço de 9,1% e de 3,1%, respectivamente.Questionado sobre as declarações de membros do governo, de que o resultado não afetará o crescimento do País, Skaf destacou que esse impacto já começou a ocorrer. "Lógico que não compromete. Já comprometeu. O crescimento já se reduziu. Estamos falando de fatos concretos", opinou. "A atividade industrial do País retraiu 1%. Depois da retração, vem a recessão."O presidente da Fiesp também voltou a cobrar do governo uma redução da taxa de juros. Segundo Skaf, com a diminuição na taxa Selic, seria possível também controlar a atual situação cambial do País, caracterizada pela forte desvalorização sofrida pelo dólar nos últimos meses.Paulo Skaf participou do seminário "Fiesp Logística", organizado como parte das atividades da Feira Intermodal 2005, na capital paulista.

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