Fiesp critica apoio do Brasil à China

Apesar das críticas lançadas pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o governo insiste que o reconhecimento da China como economia de mercado não prejudicará as empresas do País. "Temos certeza que os mecanismos que temos no Ministério são suficientes para evitar que haja qualquer dano à indústria brasileira", disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan. "Não creio que isso vá, de alguma maneira, diminuir nossa capacidade de defender a indústria", ponderou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. A Fiesp, em nota oficial, criticou a decisão tomada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira, que durante a visita do presidente chinês, Hu Jintao, anunciou o reconhecimento da China como economia livre de mercado. Na avaliação dos executivos da Federação, o reconhecimento impedirá que os empresários brasileiros consigam provar suas perdas provocadas pela importação de produtos chineses que são vendidos no Brasil a preços menores do que os de fabricação, o que tecnicamente é conhecido como dumping. Para o ministro Celso Amorim, a decisão do governo não prejudicará as medidas de proteção à indústria. "Ao contrário do que se diz, o Brasil não abre mão de utilizar as medidas comercias, sobretudo o anti-dumping", disse o ministro, após participar do almoço oferecido por Lula ao presidente chinês, na Granja do Torto. "É claro que em todo acordo comercial sempre tem alguma margem de risco para algum setor. Mas estaremos muito atentos", ponderou. Apesar de discordar das críticas, Furlan considerou natural o posicionamento da Fiesp. "Como não se pode imaginar exatamente o que vai acontecer, é importante que a indústria coloque ali uma espécie de seguro: olhe, eu avise", disse o ministro, que foi diretor da Federação por 15 anos. Furlan insistiu, entretanto, que o governo estará atento, e adotará todas as medidas necessárias para evitar que a indústria do País seja prejudicada.

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