Fiesp critica carga tributária; Palocci reconhece aumento

Na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, fez uma série de críticas ao aumento da carga tributária do País. Skaf disse que o Brasil tem carga tributária de país de estágio avançado e padrão de vida de país atrasado. Ele disse que enquanto a carga tributária é de 35,5% do PIB, o índice de desenvolvimento humano é de 0,78%. Skaf disse, durante a apresentação no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), que, apesar dos esforços do governo, se nada for feito, a carga tributária esse ano ficará cerca de 1,16 pontos porcentuais acima da registrada em 2003. Ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, também presente na reunião, Skaf pediu que haja uma decisão rápida nesta área para que isso não aconteça. Também presente, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, admitiu que a carga tributária no País, este ano, deve ficar maior do que a registrada no ano passado. Ele atribuiu este aumento ao fato de a arrecadação tributária, este ano, estar crescendo num ritmo maior que o Produto Interno Bruto (PIB). Palocci procurou mostrar que não houve aumento de impostos, mas sim um crescimento maior da arrecadação em função do aumento da produção industrial. Ele enfatizou que o governo vai zelar pelo seu compromisso de não deixar a carga tributária acima dos níveis de 2002 e 2003 e assegurou que, se as medidas já tomadas não forem suficientes para isso, novas medidas de corte tributário serão tomadas. Juros e crédito O presidente da Fiesp também pediu na reunião a redução da TJLP que hoje está em 9,75% ao ano. Ele disse que é preciso rever com seriedade a TJLP, lembrando que o custo é muito alto em comparação ao retorno dos investimentos no País que estão em torno de 7% e 8%. Segundo ele, com essa taxa de juros, as empresas correm o risco de quebrarem. O presidente do Fiesp apresentou dados de um estudo comparativo do Brasil com outros 43 países que representam 93% do PIB mundial. Realizado com dados de 2002, o estudo, segundo Skaf, mostra que o crédito no País é muito pouco, representando apenas 27% do PIB enquanto a média dos outros países é de 85% do PIB. "Não temos crédito", criticou Skaf, lembrando que há 20 anos, o crédito representava 80% do PIB na economia brasileira.

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