Fiesp defende taxa Selic de 6% ao ano

Na avaliação da entidade, governo federal precisa criar condições para reduzir os juros para patamares mais próximos dos níveis internacionais

ANNE WARTH, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2011 | 03h05

O governo federal precisa criar condições para reduzir a taxa básica de juros para níveis mais próximos do patamar internacional. A avaliação foi feita ontem pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. Na opinião dele, considerando a média mundial de juros reais, que é de 0,4% ao ano conforme estudo da Fiesp, e a projeção de inflação ao redor de 5,6% em 2012 segundo a pesquisa Focus do Banco Central, o ideal seria que a taxa Selic estivesse em 6% ao ano.

Hoje, a taxa básica de juros está em 11,50% ao ano. "Se for 6,5% ou 7%, tudo bem, mas certamente 11% ou 12% está errado. Nós estamos em um momento muito oportuno para reduzir os juros", disse o presidente da Fiesp, que lançou o "jurômetro", ferramenta que mensura quanto o governo federal gastou com os juros da dívida pública neste ano.

Para Skaf, cabe ao governo federal criar condições para reduzir os juros para um patamar mais próximo da média internacional. Questionado, ele não respondeu se é ou não favorável à mudanças nas regras de remuneração da caderneta de poupança. Em 2009, essas regras impediram uma diminuição mais intensa dos juros (caíram até 8,75% ao ano entre julho de 2009 e abril de 2010), durante a crise financeira mundial, sob o risco de fuga de capitais do mercado para a poupança. Na avaliação de Skaf, cabe ao governo federal encontrar uma forma de equilibrar a remuneração da poupança de forma a proteger investidores sem prejudicar a competitividade e o crescimento do País. "Os juros ainda estão muito distantes desse patamar de 8%. Quando chegarmos lá, voltamos a conversar."

Segundo o estudo divulgado ontem pela Fiesp, o custo de capital de giro no País é mais elevado do que no exterior. Por essa razão, o impacto desse custo no valor da produção é de 6,67%, 4,6 pontos porcentuais acima que em países como Chile, Itália, Japão, Malásia e Noruega. Segundo a entidade, o custo do capital de giro representa 7,5% do preço final dos produtos industrializados no País. As despesas do governo federal com os juros da dívida pública, nos doze meses encerrados em setembro, foi de R$ 231,2 bilhões, o equivalente a 5,8% do Produto Interno Bruto, segundo a Fiesp. Se o País tivesse uma taxa de juros em nível internacional, de 1,78% ao ano, acrescenta, a despesa com juros seria de 0,8% do PIB.

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