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Fiesp e centrais pedem desoneração da folha e juro baixo

A desoneração da folha de pagamento e a redução dos juros uniram, em São Paulo, entidades patronais e trabalhistas em torno de uma agenda em comum de diálogo com o governo federal. Ao lado de dirigentes da Força Sindical e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, anunciou hoje a intenção das entidades de encaminhar nos próximos dias à presidente Dilma Rousseff um conjunto de propostas de longo prazo para o desenvolvimento da indústria nacional. O diagnóstico é de que a economia brasileira enfrenta uma perda de competitividade no mercado internacional que a tem levado a um cenário de desindustrialização. A intenção da iniciativa é de que seja aberto um diálogo permanente entre as entidades e o governo federal, nos moldes de uma câmara setorial da indústria.

GUSTAVO URIBE, Agencia Estado

23 de maio de 2011 | 15h56

"A indústria está sofrendo um ataque de produtos importados. Devemos ter em 2011 um déficit na balança comercial de manufaturados perto de US$ 100 bilhões. Isso compromete o emprego, a geração de riquezas e o desenvolvimento da indústria brasileira", disse o presidente da Fiesp, em entrevista à imprensa na sede da entidade. "É fundamental que haja, imediatamente, redução de juros, desoneração da folha de pagamento e outras medidas que possam compensar esse roubo de competitividade que estamos tendo com o real sobrevalorizado."

As entidades reunidas hoje, de acordo com Skaf, estudam pedir a desoneração na folha de pagamento dos 20% da contribuição ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), redução dividida em 2011 e 2012. No âmbito fiscal, elas discutem ainda uma alíquota interestadual entre 2% e 4% do Imposto de Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) para produtos importados e nacionais.

O conjunto de propostas que deve ser encaminhado à presidente Dilma Rousseff trata ainda da redução das taxas de juros, combate à inflação, redução da entrada de capital especulativo no Brasil (por meio da determinação de um tempo mínimo de permanência no País), transparência na cobrança de impostos e ampliação do prazo para recolhimento de tributos, entre outros temas.

"É um absurdo termos no Brasil a atual taxa de juros, que é altíssima. Um juro que gera mais de R$ 200 bilhões de despesas do governo federal, o que é três vezes o orçamento da Saúde", criticou o presidente da Fiesp, que considerou como viável a adoção pelo governo federal de instrumentos alternativos de política monetária, dando como exemplo a limitação de prazos de financiamentos. As medidas que serão enviadas à presidente, de acordo com Skaf, são resultado de estudos promovidos desde o início do ano pelas áreas técnicas das entidades.

O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, avaliou como "muito grave" a situação da indústria nacional. De acordo com ele, o Brasil está virando um país de "apertadores de parafuso", ante o avanço dos produtos importados. "A ideia é juntar as forças para garantir emprego de qualidade na indústria, com tecnologia, porque esse tipo de emprego não está mais aqui, ele está lá fora."

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