Fiesp e Ciesp contestam supermercadistas e prevêem Natal ruim

O Natal deste ano não será tão bom para a indústria como o comércio tem anunciado. A contestação foi feita hoje por diretores dos departamentos econômicos do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em resposta à manifestação feita ontem pela diretoria da Associação Brasileira dos Supermercados (Abras) de que o Natal de 2005 será o melhor dos últimos anos."Do lado da indústria, não se percebe isso", adiantou, em entrevista coletiva, o diretor titular do Departamento de Economia do Ciesp, Boris Tabacof. "É provável que seja o Natal dos importados, com o câmbio como está, favorecendo a venda de castanha, bacalhau português, vinhos portugueses e franceses."O diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, Paulo Francini, também não demonstrou nenhuma empolgação ao analisar o comportamento do mercado consumidor no fim do ano. "As perspectivas de final de ano sempre existiram. O que nos faz acreditar num excelente Natal? Nada, em especial", opinou Francini.Dados comprovam Para reforçar a análise, Tabacof acrescentou que o próprio fato de o Indicador de Nível de Atividade da Indústria Paulista (INA) ter sido negativo em 2% em setembro, ante agosto, sem ajuste sazonal, é uma demonstração de que o desempenho das vendas de fim de ano serão baixos. Nem mesmo o fato de as vendas nominais terem crescido 14,4% em setembro ante o mesmo mês do ano passado, e as vendas reais terem aumentado 12,7%, na mesma base comparativa, ou de o total de vendas reais ter subido 13% entre janeiro e setembro comparativamente a igual período de 2004, abriram espaço para algum otimismo dos representantes da indústria.Isso porque vários segmentos da indústria têm enfrentado queda nos preços unitários de seus produtos, inclusive em dólar por causa da valorização do real, caso da indústria alimentícia. Por isso, o aumento das vendas nominais e reais não significa maior produção, já que muitas companhias optam por ampliar as importações.

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