Fiesp e Força criticam juros mas não falam em acordo

Eles divulgaram manifesto com uma série de reivindicações ao governo, mas não falam em redução de jornada

Anne Warth, da Agência Estado

26 de janeiro de 2009 | 19h36

Sem mencionar as negociações para reduzir jornada de trabalho e salários e para suspender temporariamente os contratos de trabalho, como forma de evitar demissões motivadas pelos impactos da crise financeira internacional no País, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Força Sindical divulgaram nesta segunda-feira, 26, manifesto com uma série de reivindicações ao governo.   Veja também: Desemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise    Entre elas estão a redução acelerada da taxa básica de juros, a realização de reuniões quinzenais pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), a diminuição dos spreads bancários e a ampliação do número de integrantes do Conselho Monetário Nacional (CMN) de três para sete membros, com a participação de membros de outras áreas do governo, da área acadêmica e do sistema produtivo.   "A sociedade brasileira espera do governo medidas práticas e imediatas para combater a crise, evitando a ampliação de suas consequências para o nosso País. Precisamos impedir o desemprego e defender o futuro do Brasil", diz o manifesto, assinado com a data de hoje pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e pelo presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho.   Venceu nesta segunda o prazo dado pelas duas entidades para a retomada das negociações para impedir demissões em massa de trabalhadores. Fiesp e Força argumentaram que as negociações seriam suspensas por dez dias para que as entidades se concentrassem na campanha pela redução da Selic, que era de interesse de ambas.   Procurada, a Fiesp não comentou a ausência no manifesto de uma menção das negociações . A Força Sindical afirma que outros manifestos poderão ser lançados nos próximos dias. Não há data confirmada para a próxima reunião.   Na semana passada, a Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo, entidade ligada à Força, votou por unanimidade contra um acordo global com a Fiesp que reduza salários e jornada ou suspenda contratos de trabalho. Os sindicalistas esclareceram que essas serão as últimas alternativas a serem adotadas pelos trabalhadores.   Os metalúrgicos, historicamente uma das categorias mais fortes, deixaram claro sua discordância em relação a Paulinho e afirmaram que antes negociariam banco de horas e lay-off e não admitiriam nenhum acordo que não garanta o emprego dos trabalhadores. Outras cinco centrais sindicais manifestaram publicamente ser contra o acordo nessas bases. Skaf, por sua vez, havia dito nas últimas semanas ser impossível firmar um acordo que garanta estabilidade aos trabalhadores.   Também assinam o documento os presidentes da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Antonio Fernandes dos Santos Neto; da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes; da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), Fabio Meirelles; da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), Abram Szajman; da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), José Calixto; e da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah.

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