Fiesp e Força negociam formas de evitar cortes

Acordo inclui curso no Senai para quem reduzir jornada e salário

Paula Pacheco, O Estadao de S.Paulo

09 de janeiro de 2009 | 00h00

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, vai se reunir hoje pela manhã com a Força Sindical e um grupo de sindicalistas para discutir formas de conter as demissões. A principal proposta de Skaf será a redução da jornada de trabalho e dos salários. "Uma empresa com dificuldade de crédito e de contratos precisa cortar custos. Não adianta pagar os mesmos salários e diminuir as horas trabalhadas porque os custos vão continuar altos", diz.Em contrapartida, a Fiesp vai oferecer aos trabalhadores das empresas que aderirem à proposta de menor carga horária no mínimo 100 mil vagas nas escolas do Senai do Estado para cursos gratuitos. "O tempo ocioso poderá ser aproveitado para estudar. Não é preciso flexibilizar nada, porque a lei que está aí possibilita que haja um acordo entre as empresas e os sindicatos para que seja adotada uma jornada menor", afirma Skaf. A lei permite que a redução da carga horária chegue a 25%. A medida, segundo ele, pode servir como ação emergencial para evitar uma onda de demissões. "Temos de acabar com essas discussões hipócritas, essa politicagem sobre flexibilização das leis trabalhistas. Este não é o momento", comenta o presidente da Fiesp.Skaf, porém, não aceita garantir o emprego dos trabalhadores que aderirem à redução de jornada e de salários. "Uma empresa paga as suas contas e não pode ser obrigada a nada", defende. Mas esse será um dos principais pontos apresentados pela Força Sindical e pelos sindicatos de setores como o de metalurgia, têxtil, construção civil e alimentação.De acordo com Miguel Torres, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, tanto a entidade quanto a Força aceitam suspender temporariamente os contratos de trabalho. Em contrapartida, as empresas devem garantir que não vão demitir. "A suspensão do contrato é a última instância numa negociação, mas num momento como este pode ser a saída para manter o emprego", avalia. No sindicato comandado por Torres, que engloba 260 mil trabalhadores, a estimativa é de que 10% do contingente perca o emprego no primeiro trimestre.JUROSSegundo Paulo Skaf, banqueiros e Banco Central deveriam sair do discurso e partir para a redução efetiva dos juros. "Esta seria a medida para de fato gerar emprego. Agora, se o governo continuar com esse juro absurdo, que assuma o papel de catalisador da crise. Esta taxa altíssima com a qual convivemos não veio com a crise, é bom lembrar", opina.Na reunião em Brasília na última quarta-feira, da qual participaram representantes de empresas, de bancos e do governo, o presidente do Bradesco, Marcio Cypriano, pediu a redução da taxa básica de juros para tentar minimizar os efeitos da crise. Henrique Meirelles, presidente do BC, devolveu a sugestão na mesma moeda e propôs a Cypriano que as instituições financeiras reduzam o spread bancário - diferença entre o juro real e o juro cobrado. FRASEPaulo SkafPresidente da Fiesp"Temos de acabar com essa politicagem sobre a flexibilização das leis trabalhistas"

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