Fiesp espera crescimento de 6% para indústria neste ano

Os dados da produção industrial de fevereiro, divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), comprovam a tendência de recuperação da atividade. A conclusão é defendida pelo diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, que ressalta que a alta de 1,2% na produção de fevereiro sobre janeiro veio em linha com o Indicador da Atividade Industrial (INA) paulista , que subiu 1,1% no mesmo período, sem ajuste sazonal (sem levar em conta os efeitos temporais), e 1,6% na base com ajuste. Francini acredita na continuidade do processo de alta nos próximos meses e aposta que a produção deve crescer em torno de 6% neste ano ante 2005. O diretor do Departamento de Economia do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Boris Tabacof, avalia que, neste cenário, as exportações deixaram de ser o motor da atividade industrial, como aconteceu em 2004 e 2005, cedendo lugar ao mercado interno, que recupera seu dinamismo. Segundo ele, enquanto o real apreciado responde pela desaceleração das exportações, o aumento do crédito é responsável pelo incremento do consumo doméstico, sobretudo para pessoas físicas, que continua crescendo neste ano, embora em velocidade menor do que 2006. O mercado interno também reage favoravelmente ao aumento da renda, do emprego e dos gastos públicos federais. Para Tabacof, a retomada dos cortes da taxa básica de juros da economia, a Selic, ainda não chegaram à economia real. Isso significa que nos próximos meses a atividade pode ser ainda melhor, motivada por um crédito eventualmente mais barato. Perda de dinamismo Para justificar a perda de dinamismo das exportações de manufaturados, o empresário afirma que a participação dos industrializados no total das exportações era de 58,3% no primeiro trimestre de 2005, caindo para 56,6% nos três primeiros meses de 2006. "As exportações continuam em alta, mas a balança está sendo puxada pelas commodities", ressaltou, lembrando que as vendas externas de óleo combustível aumentaram 162% no primeiro trimestre de 2006 ante o mesmo período de 2005, o petróleo em bruto, 142%, a soja em grão, 65%, e o minério de ferro, 64%. "As exportações dependem cada vez mais de commodities, enquanto a indústria perde espaço", finalizou.

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