Fiesp: indústria praticamente apagou perdas da crise

O Indicador de Nível de Atividade (INA), calculado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), mostra que a indústria praticamente zerou as perdas provocadas pela crise financeira internacional. De acordo com a entidade, o INA atingiu em fevereiro de 2010 o maior nível desde outubro de 2008 e está apenas 2,6% abaixo do registrado em setembro de 2008, mês que marcou o agravamento da turbulência internacional que abalou a produção da indústria.

LUCINDA PINTO, Agencia Estado

30 de março de 2010 | 17h19

Segundo o levantamento da Fiesp, seis dos dezessete setores pesquisados não só eliminaram as perdas como já operam com nível superior ao observado em setembro de 2008. É o caso da fabricação de Produtos Químicos, cujo nível de atividade cresceu em fevereiro deste ano 10,4% em relação a setembro de 2008; Alimentos e Bebidas (12,5%); Outros Equipamentos de Transporte (11,8%); Celulose, Papel e Produto de Papel (7,3%); Máquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos (7,3%) e Móveis e Indústrias Diversas (2,6%).

Segundo o diretor do Departamento de Estudos e Pesquisas Econômicas da Fiesp, Paulo Francini, esses dados confirmam uma trajetória vigorosa de recuperação da indústria, tendência que deve prosseguir nos próximos meses. Francini destacou que o setor de Máquinas e Equipamentos está com resultado muito inferior ao observado em setembro de 2008 (-8,6%), bem como está apresentando um ritmo importante de recuperação. Esse setor, termômetro para investimentos na capacidade produtiva da indústria, foi o que mais sofreu no período de crise econômica, mas já está avançando a taxas superiores a outros setores.

Em fevereiro de 2010, o nível de atividade do setor de máquinas e equipamentos avançou 0,5% com ajuste sazonal. Mas na comparação com fevereiro de 2009, a expansão foi de 40,9%. Para se ter uma ideia, somente no primeiro bimestre do ano, na série sem ajuste sazonal, a expansão foi de 36,3% ante igual período de 2009. Ainda assim, no acumulado dos últimos doze meses, o nível de atividade continua registrando queda de 14,1%. "O setor de Máquinas e Equipamentos carrega o ônus de ter sofrido a queda mais forte da indústria, mas agora tem a recuperação a taxas mais fortes", destaca.

Outra observação positiva feita pela Fiesp é que há sinais de recuperação das exportações do setor industrial, o que vai contribuir para a reabilitação industrial ao longo do ano. Como exemplo, ele citou a indústria automobilística. A Fiesp prevê que a exportação de produtos manufaturados este ano cresça 21%, em nível nacional, em relação a 2009. No ano passado, por causa da contração do mercado internacional, as exportações caíram quase 27%. "Se a atividade externa da indústria de São Paulo foi um fator negativo em 2009, ela deve ser em 2010 um ponto positivo", afirma Francini.

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