Fiesp não acredita na promessa de Palocci de compensar tributos

A afirmação do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, de que o governo compensará o aumento da contribuição previdenciária das empresas com a redução de outros impostos, não provocou entusiasmo no vice-presidente da Fiesp, Roberto Nicolau Jeha. Ele lembrou que promessas anteriores semelhantes nunca se concretizaram.Em entrevista ao Jornal da Cultura, da TV Cultura, Jeha disse ser inaceitável a carga tributária atual, que, segundo ele, já chega a 40% do PIB. "E mais inaceitável ainda é que esse imposto, se estivesse indo para a saúde, para a educação, para a habitação, para a infra-estrutura, vá lá. Mas não, você paga 40% do PIB e 10% disso é para pagar juros."Segundo Jeha, o governo prometeu ainda recentemente que o aumento do PIS e da Cofins seria compensado. "Não foi, e você teve um aumento, na média, para as cadeias industriais, de 15% a 29%, o mesmo correndo com a contribuição social sobre o lucro. (...) Então, eu digo o seguinte: eu não sei que coelho o ministro Palocci vai tirar da cartola dele, porque até agora, o que nós temos visto, é aumento de impostos sem compensação nenhuma."InformalidadeO vice-presidente da Fiesp destacou que um dos grandes problemas do País é a informalidade da mão-de-obra, devido aos custos exigidos pela atual legislação trabalhista. Disse que 50% das pessoas que trabalham no Brasil não têm carteira profissional assinada. "Hoje, se você paga R$ 100 para o seu funcionário, para a empresa vai custar R$ 200. Então, se esse aumento da contribuição previdenciária passar no Congresso, vai aumentar ainda mais a informalidade." Para Jeha, é fundamental uma reforma trabalhista para desonerar a folha de salários, a fim de induzir os empresários a registrarem seus funcionários.

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