Fiesp: nível de emprego só vai se recuperar em 2011

Defasagem entre a atividade e o emprego é fruto dos ganhos de produtividade da indústria paulista

Anne Warth, Agência Estado

15 de dezembro de 2009 | 16h33

Embora o nível de atividade da indústria paulista deva recuperar o patamar pré-crise em março de 2010, o emprego deve levar bem mais tempo para chegar aos números registrados em setembro de 2008. A previsão é da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que estima que a recuperação do emprego da indústria no Estado deva ocorrer somente no primeiro trimestre de 2011, cerca de um ano depois da projeção de retomada da atividade industrial.

 

Segundo o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini, essa defasagem entre a atividade e o emprego é fruto dos ganhos de produtividade que a indústria paulista obteve durante o período de agravamento dos efeitos da crise financeira mundial, logo após ajustes que resultaram nas demissões de 236,5 mil trabalhadores entre outubro de 2008 e fevereiro deste ano.

 

"É como uma pessoa que fez um regime e emagreceu muitos quilos e que, agora, satisfeita com sua nova forma, sabe que pode viver com menos do que vivia antes da dieta", comparou Francini. A Fiesp prevê que a indústria paulista deve encerrar o ano de 2009 com redução de 4,7% no nível de emprego, o que significará o fechamento de 105 mil postos de trabalho em relação a 2008. Para a indústria brasileira como um todo, a projeção é de uma diminuição de 2,5% no nível de emprego. Já o nível de atividade da indústria no Estado deve fechar o ano com queda de 8,3% na comparação com 2008, enquanto a atividade da indústria brasileira deve fechar este ano com redução de 7%.

 

"2009 foi um ano para ser esquecido", definiu Francini. Para 2010, a Fiesp projeta que o PIB do País deve crescer 6%. Segundo o gerente do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da entidade, André Rebelo, o resultado do PIB do terceiro trimestre do ano, que subiu apenas 1,3% em comparação ao trimestre anterior, abaixo das expectativas do mercado, não afetou a projeção da entidade. "A partir de agora, voltaremos a crescer a 2% na margem", afirmou.

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