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Fiesp pede medida urgente para melhores condições de crédito

Entre as medidas estão a portabilidade das contas e a aprovação, pelo Parlamento, do cadastro positivo

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

17 de fevereiro de 2009 | 15h21

O setor produtivo voltou a cobrar medidas que melhorem as condições de crédito. O diretor do departamento de competitividade e tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, José Ricardo Roriz Coelho, afirmou que o governo e o Congresso devem adotar medidas urgentes para que os bancos deixem de concentrar a liquidez (volume de recursos) em seus caixas e voltem a emprestar em melhores condições de financiamento do que as atuais. Veja também:Febraban: ''É da natureza humana buscar culpados''De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise  Entre elas estão a portabilidade das contas e a aprovação, pelo Parlamento, do cadastro positivo, que na prática dará condições para que os bancos verifiquem quais são os bons clientes e concedam a eles crédito com taxas de juros menores. "Os spreads (diferença entre os juros de captação e as taxas cobradas nos empréstimos) no Brasil são oito vezes maiores do que a média apurada em 42 países que respondem por 90% da economia mundial", comentou Coelho. "Todos os setores produtivos estão contribuindo bastante para diminuir os efeitos da crise sobre a nossa economia. Os bancos estão numa posição muito confortável e também devem colaborar nesse esforço nacional, sobretudo ao normalizar rapidamente a concessão de crédito", argumentou o diretor da Fiesp. Juros  O cadastro positivo está na pauta de votação da Câmara dos Deputados. Na avaliação de Coelho, a adoção deste cadastro deve ser acompanhada da permissão de portabilidade. Este mecanismo daria condições ao cliente de um determinado banco ter seu histórico analisado por outra instituição, com o qual poderia ter acesso a produtos com taxas de juros menores, sem períodos de carência. "O cadastro será um documento comum a todos os bancos", comentou. "É simples aprovar a portabilidade das contas dos clientes de uma instituição financeira para outra, pois isso pode ser feito apenas com uma portaria do Banco Central", disse. O Banco Central liberou R$ 99 bilhões em depósitos compulsórios para que os grandes bancos comprassem as carteiras de crédito de instituições menores, mas Coelho disse que muito pouco do montante atendeu o objetivo do BC: retomar os financiamentos para pequenas e médias empresas. "O governo deveria punir os bancos que não atenderam esse objetivo determinado pelo Banco Central." Inadimplência não justifica spread O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, defendeu cadeia para banqueiros que cobram spreads muito elevados, que para ele lembram agiotagem. O diretor da entidade comandada por Skaf não defendeu tal posição. Para Coelho há medidas administrativas mais rápidas que podem ser adotadas para estimular os bancos e restabelecer a concessão de crédito no Brasil. De acordo com Coelho, os bancos alegam que os spreads subiram ainda mais recentemente porque há uma expectativa de elevação da inadimplência de seus clientes por causa do agravamento da recessão mundial. "Mas ao somar a inadimplência de pessoas físicas e jurídicas, essa marca está em 3%. Não faz sentido os bancos punirem 97% dos bons clientes porque uma parcela de 3% não honrou seus compromissos", disse. Para Roriz, os bancos estão se aproveitando de forma exagerada da crise global para obter elevados lucros propiciados por spreads muito altos. Segundo ele, o governo deveria adotar em breve uma maciça campanha publicitária nacional para esclarecer a população como pode escolher as instituições financeiras que oferecem as menores taxas para empréstimos. "Além disso, também é importante que os bancos informem aos clientes quanto do crediário corresponde aos juros e qual é parte relativa aos spreads", destacou.

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