Fiesp prevê o dobro de demissões do ano passado

A indústria paulista pode fechar neste ano o dobro dos postos de trabalho extintos no ano passado, afirmou hoje o diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Faldini. Em 2001, as indústrias de São Paulo fecharam 32.437 vagas. Neste ano, até setembro, foram extintos 51.712 postos de trabalho (queda de 3,29% ante janeiro a setembro de 2001). Só em setembro foram fechadas 11.297 vagas, o que representa um nível de emprego 0,73% menor que o de agosto.Foi o pior mês de setembro desde de 1995, quando houve queda de 1,28% e um fechamento de 27.257 vagas. Naquela época, viviam-se os reflexos da crise do México. "O principal motivo da queda (do mês passado) é que não há renda que permita ao consumidor comprar", explicou Faldini. Além disso, falta também, segundo ele, confiança ao consumidor. "As eleições são um fator de incerteza. Acabando o segundo turno, não importa quem vencer, essa incerteza acabará", completou. Para o mês de outubro, o diretor da Fiesp prevê uma diminuição no ritmo de demissões, apesar de o índice quase com certeza se manter negativo. "Em setembro, já foram menos do que em agosto", lembrou. Naquele mês, a indústria paulista fechara 15.359 vagas. O que preocupa o setor é que nos meses tradicionais de pico de produção, agosto, setembro e outubro, a indústria está demitindo. "Não vejo grandes melhoras para o fim do ano. Crescimento do emprego depende da evolução da economia. E no momento, não se antevê nenhuma medida de curto prazo que provoque este crescimento", disse Faldini. Para ele, em 2003 o emprego industrial poderá voltar a crescer em São Paulo. "Independentemente de quem vencer a eleição, há perspectiva de melhora para o ano que vem. Ambos os candidatos têm boas intenções e querem fazer o Brasil crescer. É um fator psicológico positivo", avaliou o diretor. Segundo Faldini, se o País voltar a crescer a 4%, 5% ao ano, a indústria abrirá muitos empregos. "Mas nunca vai superar os mais de 500 mil postos perdidos nos últimos anos", concluiu. De 95 até agora, as indústrias de São Paulo fecharam 573.533 vagas, diminuindo o contingente de empregados pelo setor a 1.535.435 hoje. "Houve migração de empresas para muitos estados por conta dos altos custos de São Paulo. É um movimento que não volta", disse. Em setembro, os sindicatos que tiveram maior retração porcentual no nível de emprego foram o de relojoaria, com queda de 2,72%, o de refrigeração, aquecimento e tratamento de ar, com 2,58%, e o de rações balanceadas, com queda de 2,27%. São, no entanto, sindicatos pequenos. Entre os sindicatos mais representativos, o de materiais e equipamentos ferroviários e rodoviários, que tem cerca de 4,6% do total de empregados na indústria de São Paulo, teve queda de 1,19% em setembro ante agosto. O de componentes para veículos automotores, que tem 6,4% dos empregos industriais, fechou setembro 0,68% abaixo de agosto. Já o sindicato de malharias e meias, que representa 2,5% do total, teve desempenho positivo em setembro de 3,84% em setembro ante agosto. Apesar das quedas, Faldini disse que já é possível notar uma melhora nas encomendas de alguns setores, o que poderá provocar mais atividade industrial e aberturas de empregos. "São setores de mineração, autopeças, agribussines, fundição, petroquímica, papel e celulose e gráficas", disse.

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