Fiesp quer revisão do acordo comercial entre Mercosul e Chile

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) vai pedir ao governo brasileiro a revisão do Acordo de Complementação Econômica (ACE-35 de 1996) que o Mercosul tem com o Chile e o aprofundamento dos acordos comerciais realizados no âmbito da Aladi (Associação de Integração Latino Americana). O objetivo é obter concessões mais próximas às oferecidas pelo Chile aos Estados Unidos no âmbito do acordo fechado em janeiro deste ano e aumentar as preferências negociadas no âmbito da Aladi para proteger e ampliar sua participação no mercado regional.Um estudo realizado pela entidade em conjunto com o Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Ícone) mostra que o Brasil corre o sério risco de perder fatias importantes do mercado regional por causa dos acordos bilaterais firmados pelos Estados Unidos na América Latina. O trabalho mostra, por exemplo, que a margem média de preferência tarifária concedida aos Estados Unidos pelo Chile é de 96,3%, contra 68,5% concedidos ao Brasil no Acordo de Complementação Econômica.A preocupação da indústria paulista é que 80% das exportações do Brasil para os sete países da Aladi (Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, México, Peru e Venezuela) são bens manufaturados. "Com o estudo, temos a comprovação técnica do risco de desvio de comércio e de erosão das preferências comerciais que o Brasil sofre. Agora, é preciso renegociar com o Chile", disse Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos e presidente do Conselho de Comércio Exterior da Fiesp. O estudo avaliou apenas os 70 produtos de maior peso na pauta brasileira para a América Latina, mas não citou quanto o Brasil eventualmente perde em valores.

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