Fiesp questiona alta do juro sem corte de gasto público

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, questionou, em nota oficial, "de que adianta subir os juros, se o governo não controla os gastos públicos". Para ele, no desentendimento entre as políticas monetária e fiscal do governo, quem sofre são os menos favorecidos. "Para combater o vírus da inflação não se pode usar um único tratamento, há outros antídotos que não apenas a alta de juros que impede o crescimento, gera desemprego e prejudica a sociedade", emendou.O Conselho de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu hoje elevar a taxa Selic em 0,75 ponto porcentual, para 13% ao ano. Ainda na nota, o presidente da Fiesp diz que a instituição, "embora também defenda o firme combate à inflação, segue comprometida com o crescimento do País". E continua: "Seria mais eficaz se a gestão das políticas monetária e fiscal fossem compartilhadas, e a sua coordenação exercida de maneira adequada. O que, infelizmente, não é realidade."Para a Fiesp, de um lado existe uma política fiscal expansionista caracterizada pelo crescimento continuado do gasto público que, neste ano, deve aumentar 15%, incentivando a demanda interna. De outro, uma política monetária restritiva, que adota alta seqüencial na taxa de juros, "que já é uma das mais elevadas do planeta". Fecomercio-SPO aumento de 0,75 ponto na taxa básica de juros, representa o fim de um período de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para o retorno aos "desempenhos medíocres, iguais ou inferiores a 3% ao ano" a partir de 2009, avalia a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP).De acordo com as projeções da entidade, o ciclo de alta da Selic levará os indicadores neste semestre a apresentar desaquecimento dos investimentos, que seriam responsáveis pelo crescimento futuro. "Se as previsões do mercado se confirmarem e a Selic chegar ao final do ano no patamar de 14,5% ou 15%, a tendência é que desabe o crescimento em 2009", afirma a Fecomercio-SP. A entidade avalia que o Copom poderia ter sido mais comedido e destaca a necessidade de cortes nos gastos públicos.

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