Fiesp: redução da tarifa sobre etanol é inviável atualmente

A redução da tarifa de US$ 0,54 por galão (3,7 litros) para a importação de etanol pelos Estados Unidos é teoricamente desejável, mas na prática, atualmente, é inviável. A avaliação é do diretor de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti, que apresentou nesta terça-feira, 13, os resultados obtidos pela entidade das duas reuniões com a representante comercial norte-americana Susan Schwab. Segundo ele, ocorrendo uma abertura imediata da produção brasileira aos EUA "toda a perspectiva de crescimento da produção americana baseada no etanol de milho seria destruída"."Os Estados Unidos têm centenas de indústrias, com centenas de bilhões de dólares investidos, e uma demanda de cerca de 20 bilhões de litros por ano, que o Brasil não teria condições de atender", afirmou Giannetti, ressaltando que a abertura das exportações de etanol para o mercado norte-americano, sem as tarifas, poderia deixar o Brasil desabastecido do biocombustível. "Nós queremos exportar o que for excedente ao nosso consumo e se possível na melhor condição de preço, sem barreira tarifária."O que os Estados Unidos podem conceder, na avaliação de Giannetti, é uma cota tarifária zero para cerca de 15% do consumo de etanol americano. Ele explica que essa demanda brasileira já está sendo negociada no Congresso norte-americano, e recebe, inclusive, o apoio de parlamentares das regiões produtoras de milho, mas isso não deve ocorrer imediatamente.Ele salientou que o empresário norte-americano só vai continuar investindo no etanol de milho se a produção der lucro, o que não está acontecendo em virtude do aumento do preço do milho. "Os Estados Unidos têm um déficit entre sua oferta e o seu consumo de etanol, o que pode afastar muitos produtores da atividade. Então, o produtor de etanol de milho está com prejuízo. Se a tarifa cair, o preço do etanol é tão alto que a expectativa é de que exportaríamos todo o etanol produzido no Brasil. Sem a produção deles nós ficaríamos sem etanol", afirmou.Ele ressaltou ainda que a produção norte-americana já não atende regiões dos Estados Unidos como as costas Leste e Oeste, onde o Brasil poderia atender a demanda.

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