Fiesp reduz perspectiva de crescimento para a indústria em 2005

A queda de 0,9% no Indicador do Nível de Atividade (INA) da Indústria Paulista em outubro ante setembro levou a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) a revisar para baixo as já fracas projeções para este ano.Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas (Depecon) da Fiesp, disse que o crescimento da indústria brasileira em 2005 deve ficar em 2,6%, uma forte queda em relação à projeção anterior, de 4%. Já a perspectiva para o PIB nacional caiu de 3,5% para 2,3%. E o próprio desempenho do INA também foi revisto de uma alta de 4% para 2,5%.De janeiro a outubro, o INA acumula uma alta de 2,1% sobre o mesmo período do ano passado. Outubro é, tradicionalmente, um mês de alta da produção industrial, o que não foi verificado neste ano por conta da demanda fraca.No entanto, é possível que o mês de novembro tenha um comportamento melhor do que outubro, ajudando o INA a fechar acima dos atuais 2,1%. Uma explicação para esse eventual desempenho é que as encomendas tenham sido propositalmente "atrasadas" e sejam um pouco melhores neste mês.Críticas à política de jurosAntonio Corrêa de Lacerda, diretor-adjunto do Departamento de Economia do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), que elabora o INA em conjunto com a Fiesp, afirmou que o indicador de outubro mostra claramente que existe um exagero na fixação da taxa de juros e que a política econômica é "um samba de uma nota só", cuja obsessão pela meta da inflação gera distorções para a economia e afeta a disposição para investimentos.De qualquer forma, os últimos indicadores industriais comprovam a necessidade de mudanças na política econômica. Assim, 2006 pode ser um ano muito melhor do que 2005, caso haja recuo maior da taxa de juros, desvalorização cambial e retomada de investimentos.Lacerda descartou que o desempenho negativo do PIB no terceiro trimestre (-1,2) reflita a crise política, como chegaram a afirmar ontem alguns analistas. O diretor do Ciesp atribui os indicadores negativos exclusivamente à política econômica. "Se a crise política tivesse tido algum efeito na economia, já teríamos visto a Bolsa despencar e o câmbio disparar. Mas nada disso aconteceu", finalizou.

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