Fiesp revisa PIB e emprego industriais para baixo

O diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, revisou nesta terça-feira a projeção da entidade empresarial para o Produto Interno Bruto (PIB) industrial deste ano, de 6% para 3,5%. O motivo, conforme o diretor, é o peso que as importações têm exercido no mercado brasileiro, principalmente em relação aos bens de consumo não-duráveis, "já que o mercado de bens duráveis produzidos no País já foi pro espaço há muito tempo".Francini manteve a projeção de crescimento do PIB brasileiro para "cerca de 4%, podendo ficar entre 3,7% e 3,8%". "Em anos de sobrevalorização da moeda, o crescimento do PIB industrial tende a ser menor do que o PIB do País", comentou.Por isso, Francini esclareceu que a projeção feita no início do ano foi revista e, dentro desta nova perspectiva, o emprego industrial também deverá ser comprometido, com alta de 2% na visão dele, tanto para a indústria paulista como para a nacional. "O emprego na indústria vai fechar com pobreza", projetou.Crítica ao entusiasmo O diretor da Fiesp também criticou o "entusiasmo" com que foi recebida a informação, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de crescimento do emprego industrial em maio, com interpretações de que a indústria mostrava "sinais de recuperação". "Apenas alguns setores, que são intensivos em capital, vão bem nas exportações e conseguiram elevar seus preços no mercado internacional. Os setores intensivos em mão-de-obra vão mal, sofrem com as importações, por conta do câmbio sobrevalorizado", observou. "Vamos ter um ano atípico, de crescimento do PIB maior do que o crescimento do PIB industrial, e a indústria não vai crescer aqueles pontos porcentuais acima do PIB, porque parte da atividade está sendo roubada pelas importações", acrescentou.Pessimismo Ainda ao revelar certo pessimismo sobre o desempenho da indústria ao longo do ano, Francini disse que as projeções já estão consolidadas, podendo haver uma ou outra pequena oscilação, e que as eleições deste ano não deverão influenciar este quadro, sugerindo que o País já comece a trabalhar para o próximo ano. "Não vemos sustentabilidade nesse crescimento, como muitos dizem. Temos uma série de assuntos para avançar a partir do próximo ano", avaliou, ao destacar a necessidade da realização das reformas legislativas que o País necessita promover.

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