Fiesp sai em defesa da MP do setor elétrico

Governo recrutou tropa de choque para defender a medida que antecipa a renovação das concessões e federação das indústrias já faz até campanha

ANNE WARTH / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2012 | 02h07

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) resolveu apoiar o Palácio do Planalto na briga sobre a renovação das concessões do setor elétrico. A entidade lançou uma campanha publicitária em prol do pacote definido pela presidente Dilma Rousseff. "A campanha é quase uma denúncia. Tem gente que não está olhando o interesse das pessoas, mas das empresas", afirmou o presidente da federação, Paulo Skaf, ao 'Estado'.

A campanha atende a um pedido público de apoio ao pacote feito pela presidente Dilma Rousseff a Skaf. Desde a publicação da Medida Provisória 579 - que estabeleceu as regras para a renovação antecipada das concessões que vencem entre 2015 e 2017-, o valor das ações das elétricas despencou na Bolsa e o governo escalou uma tropa de choque para se defender das acusações de que quebrou contratos.

Ainda assim, as críticas continuam por parte de companhias e analistas e há forte pressão de investidores para que as empresas recusem as condições propostas pelo governo para renovar os contratos. O maior risco à MP 579 está no Congresso, que terá de votar a medida até fevereiro e pode se articular para atrapalhar os planos do governo.

Reunião. A presidente se reuniu com Skaf, há três semanas, por mais de duas horas. O resultado da conversa já pode ser visto nos jornais, revistas e, a partir da semana que vem, em rádio e TV. "Atenção, povo brasileiro: sua conta de luz pode baixar muito a partir de janeiro, mas tem gente jogando contra", diz a campanha.

A Fiesp pretende jogar a responsabilidade pela redução do preço da energia no Congresso. Já existem mais de 400 emendas à MP, e várias delas pedem benefícios para empresas como Cemig e Cesp. Desse total, apenas 18 são positivas, avalia Skaf, como as que pedem mais transparência dentro do setor e cobram a diminuição de mais taxas, encargos e tributos.

"Todas as outras não. Estão poluindo a MP 579. Não interessa fazer qualquer coisa que piore o que temos aí", afirmou Skaf. "Confio no bom senso dos parlamentares. Eles não podem defender o lado errado. Mas isso não significa acomodação. Estamos atentos para que não haja nenhuma surpresa e vamos fazer vigília constante no Congresso. Não vamos dar moleza", disse Skaf.

Novo rumo. Embora defendesse a relicitação das concessões há quase dois anos, Skaf mudou de posição e decidiu apoiar a decisão do governo. "Em princípio, eu defendia um novo leilão para as concessões para reduzir o custo da energia. Mas isso está sendo feito com um caminho intermediário encontrado pelo governo", afirmou Skaf. "O que eu defendia era expurgar do preço da energia a amortização dos investimentos, que já foi pago pela sociedade duas vezes. É lógico que estou satisfeito com a MP 579. O pleito da Fiesp foi atendido. Estamos 100% ao lado do governo."

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