Fiesp teme alta do gás e estuda alternativas de energia

A eventual interrupção do fornecimento de gás natural da Bolívia para o Brasil já não é mais a grande preocupação da indústria paulista no contencioso que envolve as operações da Petrobras no país vizinho. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) teme, agora, se o setor conseguirá absorver o aumento de preços do produto, que deve resultar da negociação.Segundo o diretor do Departamento de Relações Internacionais da Fiesp, embaixador Rubens Barbosa, a entidade estuda alternativas de energia, caso a alta de preços se mostre insustentável para a indústria. Alguns setores consideram o aumento de R$ 2 como o teto. Outros, muito abaixo desse valor, de acordo com Barbosa.São Paulo consome 75% do gás importado da Bolívia. No total, entre 4% e 5% da matriz energética industrial brasileira utilizam o gás boliviano. "Se a Bolívia pedir preços exagerados, a indústria não terá condições econômicas de aceitar. É natural, então, que estudemos fórmulas alternativas de energia", afirmou.Em caso de agravamento da crise, com interrupção do fornecimento ou aumento de preços além do que a indústria consegue aceitar, a tendência é que o setor volte a utilizar o óleo diesel como fonte de energia. Mas os custos serão altos. Primeiro porque a Petrobras incentivou a troca da matriz energética do óleo para o gás quando o gasoduto Brasil-Bolívia entrou em operação, no fim dos anos 1990, o que já representou um custo para as indústrias. Agora, não apenas as empresas teriam de arcar novamente com a conversão como teriam de passar a utilizar uma fonte de energia, o óleo combustível, muito mais caro do que o gás - considerando-se que os preços do petróleo estão em níveis recordes.Meio ambienteMas não é só. Há também a questão ambiental. Muitas indústrias operam hoje em locais que já não admitem mais a emissão de poluentes pesados, como é o caso, por exemplo, da Grande São Paulo."Por tudo isso, é importante que a negociação entre Petrobras e Bolívia seja bem trabalhada. E se houver aumento, que seja razoável e passível de absorção pela indústria", afirmou Barbosa. "Se tivermos uma crise séria, a indústria brasileira perderá ainda mais competitividade", finalizou.CríticasBarbosa, ex-embaixador no governo Fernando Henrique Cardoso (Londres e Washington), criticou a forma como o governo vem conduzindo a questão. Para ele, faltaram medidas preventivas de negociação antes do fato consumado (nacionalização). "Depois do fato consumado, faltou rigor na reação. Foi muito cautelosa e estamos perdendo tempo", destacou, comentando em seguida que para cumprir os contratos em vigor com a Bolívia, a Petrobras tem de tomar medidas concretas junto a conselho internacionais de arbitragem, pedir indenização e manter a vigilância no cumprimento de contratos de fornecimento e fixação de preços.

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