Fiesp: tombo do PIB só é menor que o da Coreia do Sul

O diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, afirmou que o Brasil foi um dos países que registraram as mais fortes quedas de Produto Interno Bruto (PIB) em razão da crise financeira internacional. Um estudo realizado pela entidade aponta que em apenas um trimestre o PIB brasileiro apresentou, na margem, uma variação de 5,3 pontos porcentuais, pois passou de uma alta de 1,7% entre julho e setembro de 2008 para uma queda de 3,6% de outubro a dezembro. "Isso mostra que o País sentiu uma desaceleração de grande magnitude num espaço de tempo muito curto", disse.O trabalho compara o desempenho do PIB de vários países desde o primeiro trimestre de 2007 até os últimos três meses de 2008. Além do Brasil, são estudados os resultados apresentados pelo nível de atividade dos EUA, o conjunto da zona do euro, Alemanha, Espanha, Reino Unido, Japão, Canadá, China, México e Coreia do Sul. A economia norte-americana, por exemplo, registrou uma variação do PIB de 2,8 pontos porcentuais num intervalo que vai da elevação de 1,2% no terceiro trimestre de 2007 (o último antes de começar a desaceleração) para o recuo de 1,6% de outubro a dezembro de 2008.O Japão registrou uma oscilação de 4,2 pontos porcentuais do PIB em quatro trimestres, pois passou de alta de 0,9% nos últimos três meses de 2007 para uma queda de 3,3% de outubro a dezembro de 2008. Nesse mesmo período, o PIB do Reino Unido exibiu uma desaceleração de 2,1 pontos porcentuais, dado que variou de um incremento de 0,6% para uma queda de 1,5%, e a Espanha apresentou uma oscilação de 1,8 ponto porcentual, com um aumento do PIB de 0,8% para uma retração de 1%. A zona do euro mostrou uma baixa de 2,2 pontos porcentuais do nível de atividade da região em três trimestres, com a elevação de 0,7% entre janeiro e março do ano passado passando para uma redução de 1,5% no último trimestre de 2008.Francini destacou que a Coreia do Sul foi o único mercado emergente que registrou uma variação do PIB parecida com a apurada pelo Brasil a partir do agravamento da crise financeira global no ano passado. O país asiático apresentou uma oscilação de 7,2 pontos porcentuais, com um aumento de 1,6% do PIB no último trimestre de 2007 para uma redução de 5,6% de outubro a dezembro do ano passado.Na avaliação do diretor da Fiesp, a forte oscilação do PIB no Brasil não pode ser justificada com o argumento de que o nível de atividade estava muito elevado. "A China cresce em níveis mais elevados que o País e mostrou uma variação do PIB de 3,6 pontos porcentuais", disse.

RICARDO LEOPOLDO, Agencia Estado

11 de março de 2009 | 18h27

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