Fiesp vê ambiente competitivo 'desfavorável' para o País

Estudo com 15 países que respondem por 76% das importações do Brasil mostra que nossa carga tributária é 18,3% maior

Marcelo Rehder, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2014 | 08h31

A política macroeconômica é a principal responsável pelo fracasso das medidas de socorro ao setor produtivo, na visão da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Para a entidade, a política industrial não foi suficiente para o desenvolvimento do setor porque as decisões de investimento, que proporcionam crescimento da produção e da produtividade, continuam travadas, refletindo as condições gerais do ambiente competitivo "muito desfavorável" ao produto brasileiro.

"Algumas ações do governo atenuam a situação das empresas, mas o que foi feito é muito tímido frente ao tamanho das dificuldades", diz José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp.

Como se sabe, a perda de competitividade só agrava o chamado processo de desindustrialização. No ano passado, a indústria brasileira de transformação viu seu peso no Produto Interno Bruto (PIB) se resumir a míseros 13%. Foi a menor participação desde 1955, quando estava em 13,1%.

"A cada dia, a nossa indústria fica mais vulnerável, porque não consegue exportar nem competir no mercado interno", queixa-se Roriz Coelho. A situação, segundo ele, é grave e as empresas começam a retomar as demissões.

Não é de hoje, contudo, que o setor vem encolhendo. O processo começou nos anos 80, mas ganhou impulso com a crise financeira mundial. "A desindustrialização é um processo cumulativo, refletindo diversos anos com ambiente competitivo muito adverso", diz o executivo. "É por isso que continua avançando mesmo com a desvalorização recente do câmbio."

São muitos os entraves macroeconômicos apontados pelos representantes do setor para justificar por que ficou muito caro produzir no País. Os mais frequentes referem-se ao custo do tripé impostos-juros-câmbio. Na comparação com um conjunto de 15 países que respondem por 76% da nossa pauta de importação de bens industrializados, a carga tributária brasileira é 18,3% maior, de acordo com um estudo ainda inédito coordenado por Roriz Coelho.

A indústria de transformação sofre ainda uma "sobrecarga" tributária de 134%, diz o estudo da Fiesp. Trocando em miúdos, a entidade reclama que o setor tem uma participação de 13% no PIB, mas contribui com 30,4% de toda a arrecadação de tributos no País.

Pelas contas da entidade, a taxa real de câmbio esteve sobrevalorizada em 40% entre 2005 e 2013, o que encarece as exportações ao mesmo tempo em que torna as importações mais baratas. O custo do dinheiro não fica atrás. Segundo a Fiesp, a taxa de juros de capital fixo no Brasil é 14,2% maior do que nos seus principais concorrentes.

Apesar das reclamações, o socorro ao setor é apontado até por integrantes da equipe econômica como o principal causador das dificuldades de se cumprir a meta de superávit fiscal, a economia para pagar os juros da dívida. "É um argumento incoerente", diz Roriz Coelho.

Segundo ele, o impacto direto das três principais medidas para a indústria (desoneração da folha de pagamentos, reintegra e PSI) em 2012 foi de R$ 8,6 bilhões, equivalente a 0,20% do PIB ou 1,8% do total de tributos arrecadados pelas empresas do setor. Já o custo de cada ponto porcentual da Selic no pagamento de juros da dívida pública federal foi de R$ 25 bilhões.

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