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Fiesp vê 'efeito devastador' em decisão do STF sobre IPI

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) terá um "efeito devastador" sobre a economia, disse hoje o diretor de Relações Internacionais da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca. "Empresas vão fechar, haverá desemprego e os ministros não levaram isso em consideração", desabafou. "Estou decepcionado com a forma rasa como o nosso Supremo tratou o tema."

LU AIKO OTTA E FELIPE RECONDO, Agencia Estado

13 de agosto de 2009 | 20h44

O STF decidiu hoje que o crédito-prêmio do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), um benefício fiscal criado em 1969 para estimular o comércio exterior, deixou de vigorar em outubro de 1990. Era uma disputa judicial antiga entre o governo, para quem o benefício acabou em 1983, e os exportadores, para quem o crédito-prêmio continuaria em vigor até hoje.

A estimativa das empresas exportadoras é que elas terão de recolher até R$ 200 bilhões aos cofres federais. Esse valor corresponde aos créditos tributários compensados com base em decisões judiciais de 1990 para cá, que somam cerca de R$ 80 bilhões, acrescidos de multas de 150% e juros.

A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), área jurídica do Ministério da Fazenda, não tem uma estimativa sobre a dívida que terá a cobrar dos exportadores, mas acredita que o valor seja mais baixo. Primeiro, porque muitas empresas que usaram o crédito-prêmio com base em liminares têm 30 dias para recolher o devido sem multas e juros. Muitas companhias nessa situação fizeram provisão, de forma que não terão dificuldade em quitar seus débitos, diz a Procuradoria. Além disso, as empresas contam com um programa de refinanciamento de dívidas tributárias, chamado informalmente de "Refis da Crise", que permite parcelamento em até 180 meses com encargos reduzidos.

A esperança dos exportadores, agora, é a lei aprovada pelo Congresso na semana passada, que regula um acordo das empresas com o governo em torno do crédito-prêmio. Por ele, a União permitiria o uso do crédito-prêmio até 31 de dezembro de 2002. Nesse caso, em vez de uma dívida a pagar, as empresas teriam a receber algo em torno de R$ 20 bilhões da União. Essa lei ainda está na Presidência da República, aguardando sanção. O prazo para análise vai até o fim deste mês.

O mais provável, porém, é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vete os artigos que regulam o acordo. A decisão do STF só reforça essa tendência. Até mesmo os advogados da Fiesp davam hoje como certo o veto presidencial. Eles acham, porém, que é possível reverter o veto no Congresso Nacional. A forte pressão de parlamentares que representam Estados exportadores e a proximidade das eleições colaborariam para essa estratégia. Outra forma de tentar reduzir o prejuízo dos exportadores é buscar um acordo com o Ministério da Fazenda. Há duas semanas, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi orientado por Lula a estabelecer um diálogo com as empresas.

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