Fiesp vive uma mega disputa para eleição de 2004

A disputa pela presidência da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) - apesar de a eleição estar marcada somente para agosto de 2004 - já começou e há muito tititi nos corredores da entidade. A disputa envolve três candidatos que lutam pelo posto hoje ocupado por Horácio Lafer Piva que, por força estatutária, não pode ser reeleito para um terceiro mandato e que por isso apontou, como seu candidato, o diretor administrativo da entidade, Claudio Vaz. Isso significa um leque de opções a serem levadas em consideração na disputa, já que a maioria dos candidatos faz parte da atual diretoria e estrutura e, cada qual a seu modo, tem um planejamento especial para a entidade. A corrida para o pleito de 2004 teve início quando presidentes de sindicatos procuraram o empresário Paulo Skaf, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e um dos coordenadores da campanha de Horácio Lafer Piva em 1998, e pediram para que aceitasse representá-los nas próximas eleições da Fiesp. Além de Claudio Vaz e Paulo Skaf, há mais um nome envolvido nesta disputa: o do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Brinquedos (Abrinq), Synésio Batista da Costa. Já o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Carlos Delben Leite, manifestou o desejo de competir mas acabou desistindo. Disputa já começouO começo da campanha em um prazo tão distante da eleição tem uma explicação: é que qualquer candidato à Fiesp/Ciesp precisa trabalhar muito em relação aos 129 sindicatos e às mais de 10 mil indústrias filiadas ao Centro da Indústrias. Todas essas entidades devem ser visitadas pelo postulante a presidente. O próprio Lafer Piva fez isto quando concorreu à presidência pela primeira vez, sucedendo Carlos Eduardo Moreira Ferreira.Além disto, paralelamente, há a eleição para o Centro das Indústrias do Estado (Ciesp), que é uma entidade civil e cujos dirigentes recebem votos das indústrias associadas. Geralmente o Ciesp tem uma chapa encabeçada pelos mesmos nomes que participam da chapa da Fiesp, a entidade sindical. Comenta-se nos corredores da Fiesp que o ex-presidente da entidade, Mario Amato, teria proposto a realização de uma prévia entre os 126 sindicatos para se escolher um nome de consenso para a futura presidência da entidade. Essa alternativa, porém, ficou apenas nos bastidores. Intrigas políticasDe qualquer forma, há na Fiesp hoje um clima de disputa eleitoral, até mesmo com intrigas políticas. Uma delas afirma que Lafer Piva deseja comandar o Núcleo de Apoio Político (NAP), um órgão a ser criado, e que permitiria sua continuação em um cargo político dentro da entidade. Piva confirmou a criação do núcleo, mas rechaça a possibilidade de integrá-lo. Empresários que participaram do lançamento do nome de Claudio Vaz para a sucessão de Piva afirmam que Vaz seria o presidente executivo e que Piva teria uma participação política à frente da entidade, uma espécie de primeiro ministro. Isto é contestado por empresários mais experientes e que já freqüentaram a Fiesp por vários anos, como é o caso de Claudio Bardella, ao salientar que Piva não teria força como a de um presidente executivo. Claudio Bardella, Antonio Ermírio de Moraes e Eugênio Staub entendem que ainda é muito cedo para se pensar em sucessão na Fiesp. Mas vale lembrar que o próprio Piva iniciou sua campanha na disputa com Joseph Couri, dirigente do Simpi, nas eleições de 1998, com mais de um ano de antecedência. A Fiesp/Ciesp movimenta quase R$ 2 bilhões anualmente, o que dá uma dimensão de sua importância como uma das principais entidades empresariais do País.

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