Fiesp volta a apontar risco de concorrência desleal da China

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) voltou hoje a se queixar do reconhecimento da China como economia de mercado, feito pelo governo brasileiro. "Se o Brasil se descuidar, as importações aumentam e a balança comercial se desequilibra", disse o presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp, embaixador Rubens Barbosa.A apreensão dos empresários paulistas, segundo o embaixador, é de que nenhuma nação desenvolvida reconhece a China como economia de mercado e que, o ato político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá incorrer em perda de mercado das indústrias brasileiras para as chinesas. Ele listou setores como têxteis, brinquedos e calçados como os mais sensíveis à concorrência chinesa."Nos antecipamos à Organização Mundial do Comércio (OMC) de dar status de economia de mercado à China apenas em 2016", argumentou, dando seqüência às críticas iniciadas na sexta-feira, quando a entidade divulgou nota oficial queixando-se da decisão do governo brasileiro.O principal impacto para o Brasil de decretar que considera a China uma economia de mercado é a perda de capacidade de defender sua indústria de importações chinesas. As regras da OMC facilitam a aplicação de medidas antidumping (barreira comercial para punir práticas desleais de comércio) contra economias de transição. No caso de economias de mercado, o método exigido para provar a prática de dumping (vender produtos abaixo do preço de custo) é mais rigoroso. Números do comércioEle lembrou que o comércio bilateral entre os dois países, em 2003, foi de um superávit de US$ 2,4 bilhões favorável ao lado brasileiro, com exportações de US$ 4,5 bilhões e importações de US$ 2,1 bilhões. Ele lembrou, entretanto, que o comércio bilateral entre ambos está muito aquém das potencialidades de intercâmbio com os chineses."Os Estados Unidos importam US$ 142 bilhões por ano dos chineses", citou. "A China tem um potencial imenso de crescimento. Se as estimativas deles se confirmarem, podemos sair de exportações de US$ 4 bilhões para US$ 35 bilhões, em dez anos, o que representa uma grande mudança de eixo comercial", observou.

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