Divulgação
Divulgação

Filho de Luiza Trajano assume o comando do Magazine Luiza

Terceira geração da família fundadora da rede e atual diretor de operações, Frederico Trajano assumirá o cargo em 2016 e diz que terá como meta a preservação do caixa e redução de custos; rede vale hoje 10% do que valia na abertura de capital, em 2011

Mônica Scaramuzzo, Dayanne Sousa, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2015 | 05h00

Frederico Trajano, filho da empresária Luiza Helena Trajano, vai assumir a partir de janeiro do ano que vem a presidência do Magazine Luiza. O processo de sucessão começou a ser discutido há seis anos quando o atual presidente executivo da varejista, Marcelo Silva, chegou ao grupo. Há dois anos, Frederico, de 39 anos, atual diretor de operações da varejista, começou a ser preparado para assumir o cargo. Silva passará a ocupar a vice-presidência do conselho de administração do grupo no lugar de Luiza Trajano, que vai para a presidência do conselho.

Sobrinha da fundadora da varejista, Luiza Trajano é considerada uma porta-voz do setor e uma das poucas empresárias próximas à presidente Dilma Rousseff. Nos últimos anos, deixou o dia a dia dos negócios, mas também mantém o cargo de presidente institucional da varejista. Seu papel é manter a cultura corporativa e cuidar da ouvidoria dos clientes. Ela também preside o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV).

O conselheiro independente Joaquim Francisco de Castro Neto, que ocupa atualmente a presidência do conselho de administração, vai deixar a função. O grupo terá outros dois conselheiros independentes, mas os nomes ainda não foram definidos.

Em entrevista ao Estado, Frederico Trajano sabe que vai enfrentar um cenário macroeconômico recessivo em 2016 e não vê, por enquanto, uma recuperação vigorosa da economia em 2017. “O grupo tem 58 anos e já passou por diversas crises. Essa (atual) não vai ser a maior, nem a menor.” O grupo foi fundado por Luiza Trajano, tia da empresária.

O Magazine Luiza tem sentido os reflexos da crise nas ações da companhia. A empresa, que abriu seu capital em abril de 2011 e já chegou a alcançar valor de mercado de R$ 3 bilhões no mesmo ano, está avaliada em cerca de R$ 245 milhões, de acordo com a Economática.

A meta para 2016, segundo Frederico Trajano, será a preservação do caixa e redução de custos. “O Marcelo Silva preparou a empresa nesses últimos anos para enfrentar as adversidades do mercado.”

Não há intenção, segundo ele, de fazer aumento de capital ou mesmo buscar um sócio para a companhia em 2016. Fontes de mercado ouvidos pelo Estado afirmaram que o setor de varejo eletroeletrônico e móveis poderá passar por um momento de consolidação por conta da atual crise. Grandes grupos e redes regionais fecharam lojas e demitiram funcionários para se ajustarem ao atual momento da economia. Somente neste ano, até setembro, cerca de 40 mil trabalhadores foram demitidos do segmento de eletromóveis.

Comércio eletrônico. Responsável pela divisão de comércio eletrônico da varejista desde 2000, Trajano afirmou que a companhia deverá intensificar suas apostas em vendas virtuais, que respondem por 22% da receita do grupo. O executivo estruturou projeto de integração entre as lojas físicas e o mundo virtual, numa estratégia que fez com que todos os centros de distribuição da empresa pudessem atender tanto a venda online como as lojas. Segundo ele, a varejista não deve reduzir o número de lojas físicas, mas a abertura de novas unidades, no entanto, não no mesmo ritmo dos últimos anos.

“As lojas físicas serão complementares ao de comércio eletrônico”, disse. A expansão do grupo para o Centro-Oeste deverá ocorrer nos próximos anos.

Em seu balanço de resultado do terceiro trimestre, a varejista registrou prejuízo líquido de R$ 19,1 milhões, revertendo o lucro de R$ 42,1 milhões apurado no mesmo período do ano passado. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) teve retração de 37,3% na mesma base comparativa, atingindo R$ 110,4 milhões. O endividamento em setembro ficou em R$ 1,376 bilhão.

A alteração na diretoria do Magazine Luiza foi bem recebida pelo mercado. As ações da companhia encerraram o pregão com alta de 5,67%, a R$ 10,99, enquanto o Ibovespa subiu 0,86%. Em comentário, a equipe de análise da Brasil Plural considerou que a alteração indica foco na estratégia de integração de canais de venda online e físicos e no desenvolvimento do e-commerce. “Entendemos que a estratégia é bem positiva no longo prazo, mas, por agora, o Magazine Luiza ainda tem condições extremamente desafiadoras para enfrentar”, informou o relatório, que destacou o ambiente adverso para o setor.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.